web sans-serif”>Uma menina de 12 anos morreu, ontem, depois de ser atropelada por uma Parati, às 12h, na 506 Norte, em frente ao Mc Donald’s. Lucielen da Conceição, 12 anos, saía da Escola Classe 306 Norte quando resolveu atravessar a Avenida W3 fora da faixa de pedestres. O Corpo de Bombeiros ainda tentou socorrer a vítima. No entanto, a adolescente não resistiu aos graves ferimentos e morreu assim que chegou ao Hospital de Base de Brasília.
Como de costume, Lucielen acordou cedo para ir à aula. Saiu de Ceilândia, onde morava com a mãe, até a Escola Classe 306 Norte. Depois de uma manhã de estudos, a menina deixou o colégio acompanhada da prima e da amiga. Elas teriam de chegar a pé na Casa de Estevão, 909 Norte. O local é um núcleo de estudos cristão onde as meninas adiantariam os deveres de casa durante à tarde.
A prima Angélica da Conceição, 13 anos, lembra que, às 12h05, elas pararam num cruzamento da W3 Norte, fora da faixa de pedestre, e esperaram o sinal fechar para atravessar a via. “Haviam dois ônibus enfileirados na parada para buscar passageiros. A Lucielen viu uma fresta entre os ônibus e correu para atravessar a rua. Não entendi o porquê da pressa. Ainda gritei: ‘não vai, não vai, prima’, mas já era tarde”, lamentou a menina.
O motorista da Parati vinho, Placa JEV 9877/DF, Antônio dos Reis, tinha acabado de sair do hospital em que trabalhava. Ele aproveitava o horário de almoço para buscar seu filho em outra escola. “Dirigia em baixa velocidade. O sinal estava aberto e passei. De repente, a menina apareceu na frente do meu carro. Só escutei um grito: ‘minha prima, minha prima’. Não houve tempo de fazer nada”, explicou.
Com o impacto, a menina bateu a cabeça no vidro do carro e caiu desacordada entre a Parati e o ônibus. “Foi horrível. Escutei um estrondo muito alto e só depois vi o que era”, contou uma testemunha que não quis se identificar e estava na parada de ônibus do outro lado da pista.
Dezenas de pessoas correram para prestar ajuda a menina. Em princípio, a maior preocupação era amenizar o contato da vítima com o asfalto quente. Às 12h15, o sol atingia a temperatura mais alta de toda a história de Brasília, 35,8ºC. O motorista do coletivo, em desespero, teve uma atitude solidária: fez uma pequena manobra e conseguiu deixar a menina embaixo do ônibus. Era o único ponto de sombra que havia na pista para Lucielen aguardar os 15 minutos que antecederam a chegada das viaturas do Corpo de Bombeiros.
Durante o socorro, aumentava o número de curiosos. Todos se agachavam no meio da pista, tentavam enxergar a menina de baixo do ônibus e gritavam palavras de conforto para ajudá-la. De acordo com o sargento Wellington Batista, que comandava a operação, a vítima já caiu desacordada no asfalto. “Ela perdeu muita massa encefálica, teve traumatismo craniano e foi levada para o Hospital de Base em estado gravíssimo. Durante o caminho, teve uma parada cardíaca, mas conseguimos reanimá-la”, explicou. No entanto, a assessoria de comunicação do hospital informou que a menina não resistiu aos ferimentos e morreu assim que chegou ao hospital.
Com o acidente, a prima e a amiga de Lucielen ficaram em estado de choque e tiveram de ser atendidas pela ambulância dos bombeiros. O motorista, chocado com a cena, permaneceu no local para prestar socorro à vítima e aguardou a perícia técnica da polícia.
Durante o horário de almoço, o trânsito ficou bastante congestionado na via. A Polícia Militar fechou o trecho da W3, na altura da 506 Norte, durante duas horas. Às 14h30, o local foi liberado e o fluxo de carros seguiu normal durante o restante do dia.