Amanda Karolyne
redacao@grupojbr.com
Remédio usado para conter o desenvolvimento do câncer de mama, o anastrozol está em falta na rede pública do DF desde o início do ano. A notícia vem justamente no fim mês de conscientização sobre a doença, o Outubro Rosa. Enfrentando dificuldades para conseguir os medicamentos, as pacientes brasilienses estão entre os 57.960 brasileiros diagnosticados em 2016, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esse é o tumor mais comum entre as mulheres, e também a segunda principal causa de morte na América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Uma caixa de anastrozol custa em torno de R$ 460. A Secretaria de Saúde alegou que o pedido da medicação está feito, mas sem data confirmada para ser entregue. Segundo a pasta, o produto deve chegar em meados de novembro.
No aguardo desde o início do ano, a dona de casa Maria das Neves Pereira, 55 anos, alega que o próprio secretário de Saúde tinha prometido o medicamento. “Tantas promessas de um remédio que nunca chegou até nós”, lamenta.
Saiba Mais
- O apoio da Amacc é dado aos pacientes por cinco anos e, em caso de falecimento, se estende às famílias por seis meses.
A página da Amacc no Facebook é www.facebook. com/AmaccAssociacaoDe MulheresAcometidas ComCancer.- A Rede Feminina de Brasília também faz doações do anastrozol, morfina e diversos outros medicamentos para o tratamento da doença. Depois da consulta com o médico, por meio do serviço social, a paciente obtém um encaminhamento para conseguir o remédio.
Maria teve câncer de mama em 2013, e desde então faz acompanhamento com um oncologista e mastologista. “Como não temos o anastrozol, meu médico teve de trocar para o tamoxifeno”, relata. O problema é que o substituto causa efeitos colaterais desconfortantes, como inchaço e dores nas articulações.A paciente faz parte de uma organização não governamental que trata do assunto, a Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília (Recomeçar). “Nós vamos ao Congresso, à Câmara e ao Senado Federal para pedir que o tratamento seja mais rápido”, explica.
A ONG também cobra a oferta da medicação. Maria aponta que todos os dias o Hospital de Base têm muitas pacientes à procura do medicamento. “É complicada a vida de quem precisa tomar remédios, principalmente porque não tem”, desabafa.
De acordo com Maria, algumas ONGs fazem a doação do remédio, como a Associação de Mulheres Acometidas com Câncer (Amacc). “Já consegui o anastrozol com essa instituição no ano passado, mas é bem difícil”, comenta.
A coordenadora da Amacc, Aldelucia Silva Reis, 46 anos, explica que, com ajuda da comunidade, a instituição vai atrás do medicamento para doar quando há déficit na rede pública. “Trabalhamos com telemarketing para pedir doação”, destaca.
“A associação dá assistência a mulheres com os mais variados tipos de câncer, desde no fornecimento do medicamento ao tratamento psicológico”, explica.
Donativos como cestas, fraldas, suplementos e curativos são entregues todo dia 30 de cada mês. Atualmente, a instituição está com dificuldades para obter o remédio.