A boa campanha da seleção brasileira feminina de futebol nos Jogos Olímpicos de Pequim é mais um capítulo que entra para a história do esporte no país, que agora vibra com as lindas jogadas da atacante Marta e aprende a ver no estilo de jogo das mulheres a arte esquecida pelos homens.
Sem patrocínio e um campeonato nacional oficial, elas ganharam respeito dentro e fora do Brasil conseguindo resultados importantes, obtidos com muita força de vontade e superação.
O símbolo desta equipe é a jovem e talentosa Marta. Nascida em Dois Riachos, no estado de Alagoas, ela teve de provar aos meninos de onde morava, que sabia jogar futebol. E conseguiu.
Habilidosa, Marta começou sua carreira no CSA, de Alagoas. Depois, chegou ao Rio de Janeiro para vestir a camisa do Vasco do Gama. Não demorou muito e já estava na Europa para defender o Umea, da Suécia, clube pelo qual atua até hoje e onde já conquistou vários títulos nacionais e europeus.
Em 2006, quando tinha 20 anos, conquistou um prêmio até então impensável para uma jogadora brasileira – ser eleita a melhor do mundo. No ano seguinte, Marta repetiu o feito.
Junto com seu sucesso, veio também o da seleção. Os principais títulos do Brasil foram duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo (República Dominicana), em 2004, e no do Rio de Janeiro, em 2007. Esta última conquista com sabor especial.
No Pan do Rio, a seleção liderada por Marta mostrou a um Maracanã lotado do que eram capazes de fazer dentro das quatro linhas. Na final competição, elas golearam as americanas por 5 a 0 e, assim, conquistaram definitivamente a admiração dos torcedores.
Também no ano passado, foram vice-campeãs mundiais. Perderam na decisão para a Alemanha. Entretanto, continuaram com a popularidade em alta.
Não se pode esquecer também da medalha de prata nos Jogos de Atenas, em 2004.
Assim como Marta, muitas outras a jogadoras fizeram a mesma opção e foram buscar o sucesso fora do país. Nesta atual seleção olímpica, oito jogadoras atuam no futebol internacional. São elas a goleira Andréia, as zagueiras Renata Costa, Rosana e Simone, a meia Daniela e as atacantes Cristiane, Pretinha e Marta.
Os recentes resultados no campo estão servindo para que elas cobrem das autoridades esportivas do país um apoio maior à modalidade, e assim outras praticantes do esporte tenham as mesmas oportunidades e façam o futebol feminino se desenvolver no país.
Curiosamente, enquanto o time masculino coleciona decepções, como a derrota para a Argentina nos Jogos de Pequim, elas parecem cada vez mais forte, com toque de bola, velocidade e habilidade, características que só o futebol brasileiro pode apresentar.
E mesmo a derrota na final dos Jogos Olímpicos para os EUA não será capaz de apagar a boa impressão que a equipe comandada por Jorge Barcellos deixou.