Francisco Dutra
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Palavras de ódio, confissões e pedidos de ajuda marcaram a coletiva de imprensa concedida por Adaylton Nascimento Neiva, 31 anos, na tarde de ontem, no Centro de Operações de Segurança (Ciops) do Novo Gama (GO). Beneficiado pelo regime semiaberto em 2009, após ter matado duas pessoas, ele é investigado, agora, pela autoria de pelo menos sete assassinatos e dois estupros de mulheres no Distrito Federal e Entorno, enquanto estava foragido. Ao longo de mais de 30 minutos de perguntas e respostas, ele negou a autoria dos estupros, mas assumiu que teria sido o responsável pelos homicídios.
“Desde os 12 anos tenho vontade de matar”, revela Adaylton. Segundo ele, o instinto assassino teria surgido após uma série de abusos sexuais que teria sofrido na infância. Nos momentos em que atacava as vítimas Adaylton revelou que era totalmente tomado pela vontade assassina. “Queria matar, matar, matar, matar. Tinha ódio, tinha ódio”, disparou Adaylton, que em diversos instantes da conversa levava as mãos ao próprio pescoço, simulando um estrangulamento.
No decorrer da entrevista, Adaylton revelou que poderia ter matado muito mais. Ele disse que pensou em assassinar diversas pessoas que supostamente teriam abusado sexualmente dele. Os planos homicidas não temiam nem mesmo os policiais que o prenderam, em 2000, pelo assassinato da companheira grávida dele e da filha dela de cinco anos. Adaylton teria chegado a conseguir uma arma para matá-los.
Por várias vezes, o maníaco pediu ajuda do Estado e disse que questionou a validade dos exames psicológicos que fez antes de ser levado ao semiaberto. “Se eu fiz exame psicológico, cadê os exames? O médico sentar com você e perguntar se você dormiu, se comeu bem, é exame? É tudo mentira!”, afirma o detento.
Segundo ele, por diversos momentos pediu tratamento psicológico, mas não foi ouvido. “O remédio que recebi foi o cacete. Quando fui preso, me jogaram em uma cela para ser violentado”, acusa Adaylton.