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Brasília

Mais um incidente assustou os passageiros do Metrô-DF

Arquivo Geral

21/12/2013 9h10

Mais um incidente assustou os passageiros do Metrô-DF. Uma nuvem de fumaça invadiu o terceiro vagão e causou pânico entre os  usuários do transporte. O medo foi tanto que alguns chegaram a quebrar janelas e pular os trilhos na tentativa de escapar do fogo. O princípio de incêndio, contudo, foi apenas mais uma entre as 32 panes registradas no serviço este ano. Para quem depende do sistema, o número revela  a ausência de revisão preventiva nos trens. 

“A impressão que nos passam é que as inspeções não são feitas como deveriam. Volta e meia os trens ficam parados e ninguém fala o motivo. Meu marido mesmo já passou por isso. Ele estava em um vagão quando teve uma pane. Foi quase meia hora parado”, conta a manicure Carmen Rodrigues. 

De acordo com o Sindicato dos Metroviários (SindMetrô), de fato,  há motivos para a população se preocupar. “Essa reincidência de panes significa que tem alguma coisa errada”, avalia a diretora de assuntos jurídicos da entidade, Tânia Aguiar. Ela lembra que em setembro do ano passado, outro vagão pegou fogo. Além disso, também no mesmo percurso de Samambaia, em novembro deste ano, a subestação sofreu um curto-circuito, paralisando o transporte. 

Manutenção corretiva

“Não era para esse tipo de coisa estar acontecendo com tanta frequência.  Para nós, significa que há uma sobrecarga de energia naquele trecho que precisa ser consertada”, afirma Tânia. A diretora criticou ainda o atual contrato para manutenção das máquinas. “O Metrô renovou o documento sem licitação. E, até onde sabemos, Consórcio Metroman faz apenas a manutenção corretiva, como prevê o contrato, e não a preventiva. É um absurdo”, expõe. 

Inspeção dos trens
No momento em que o vagão pegou fogo, havia cerca de 100 pessoas dentro do trem. Muitas passaram mal, assustadas com a fumaça e por não conseguirem sair do vagão. Após o incidente, segundo a assessoria de imprensa do Metrô-DF, o trem foi para a inspeção no Complexo de Manutenção do Metrô. Perguntado sobre a periodicidade das inspeções preventivas nos trens, o órgão não respondeu. Outras panes e até mesmo um princípio de incêndio já foram registrados nos trens do metrô no DF em outros episódios recentes.
 
Explosão avisa sobrecarga de energia
Segundo a assessoria de imprensa do Metrô-DF, o que causou as chamas foi uma peça chamada chave de linha, espécie de dispositivo que avisa quando há algo errado. “Essa ferramenta fica próxima às rodas, embaixo do vagão, e a função dela é justamente a de avisar, ou seja, provocar uma pequena explosão quando há sobrecarga de energia”, explicou o órgão. 
 “A gente tem a sensação de que as soluções para os problemas do Metrô só aparecem depois de uma pane. Dessa vez, foi preciso sair fumaça. E da próxima? O que vai ser preciso para que fiquem sempre de olho nas revisões? ”, indaga a estudante Carolina Cruz, 20 anos. Moradora de Ceilândia e estagiária no Plano Piloto, ela já passou por duas panes no transporte. “Não é nada agradável”, ressalta a jovem. 
Consórcio
O contrato emergencial para cuidar do Metrô corresponde a cerca de R$ 7 milhões mensais. O consórcio era formado pelas empresas Siemens e Serveng-Civilsan. Investigada por suspeita de formação de cartel com a Alstom para obras de manutenção do Metrô de São Paulo e do DF, a Siemens deixou o consórcio. A MGE a substituiu.

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