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Brasília

Mais de cinco mil guardadores de carros trabalham na clandestinidade

Arquivo Geral

26/07/2010 8h10

João Neto
joao.neto@jornaldebrasilia.com.br

 

Na teoria, os flanelinhas do DF só estão aptos a atuar se estiverem cadastrados e devidamente identificados com crachá e colete. Na prática, a realidade é outra. Os guardadores irregulares são maioria nas ruas – a estimativa é de que cinco mil atuem na clandestinidade. Não é difícil encontrá-los vigiando carros nos estacionamentos de Brasília, especialmente na região central da cidade, mesmo com o aumento na fiscalização e no número de reclamações dos motoristas. Enquete publicada no Clicabrasilia, portal de notícias do Jornal de Brasília, mostra que 87,55% dos brasilienses se sentem incomodados com a presença deles nas ruas. Mais de 1.800 internautas responderam à pergunta.

 

A Secretaria de Estado de Ordem Pública e Social (Seops), no entanto, oferece curso de capacitação para esses profissionais. Mas justifica a baixa adesão devido ao pré-requisitos para participar do treinamento: não ter antecedentes criminais. Para coibir a atuação desses guardadores em situação irregular, a Seops vem, desde abril, intensificando a fiscalização e apreendendo flanelinhas sem identificação nos locais de maior fluxo de veículos. De lá para cá, foram 16 operações que resultaram na detenção de 266 pessoas. “Mas não adianta nada só levar essas pessoas para a delegacia, fazer uma ficha e liberar. No dia seguinte eles voltam, e ainda ficam rindo da gente. Eles precisam ser punidos”, critica o presidente do Sindicato dos Guardadores e Lavadores de Veículos (Sindglav), Valdivino Diogo da Silva.

 

Para Valdivino, os guardadores informais mancham a imagem da categoria. “São pessoas que se fingem de guardadores de carros para fazerem coisas erradas, como traficar ou roubar. Infelizmente, eles prejudicam muito. Por isso, é importante diferenciá-los de nós”, afirmou.

 

Identificação

 

“Nós temos percebido que as pessoas estão começando a resistir aos guardadores não identificados. Elas procuram os que estão de coletes, por sentirem mais confiança”, conta Valdivino. O advogado Rafael Madeira já teve problemas com flanelinhas e reforça a opinião do presidente do Sindglav. “Você percebe a diferença no tratamento com os guardadores que estão identificados, eles realmente vigiam o carro.”

 

Cerca de mil e quinhentas pessoas já fizeram o curso de capacitação, organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), desde julho de 2009, com o intuito de sair da clandestinidade. Um dos pré-requisitos para participar do treinamento é não ter antecedentes criminais. Segundo Valdivino, esse é um dos motivos da baixa adesão dos flanelinhas. “Além disso, muitas pessoas não querem perder tempo, nem que seja um dia, para fazer o treinamento.

 

De acordo com o chefe da Assessoria Jurídica da Sedest, Carlos Augusto, que dá aula de legislação e responsabilidade civil para futuros flanelinhas, o treinamento serve como um filtro que diferencia aqueles que são realmente trabalhadores dos que não são. “Essa é a grande vantagem desse curso, que serve para eliminar alguns criminosos camuflados. Também é importante do ponto de vista de inclusão social de trabalhadores que eram marginalizados.”

 

No curso, que tem duração de oito horas, os flanelinhas aprendem noções básicas sobre trânsito, responsabilidade social e civil, obrigações profissionais dos guardadores e lavadores, direitos dos proprietários dos veículos, e palestra sobre relações humanas no trabalho. As turmas são abertas na medida em que há demanda.

 

Leia mais na edição desta segunda-feira (26) do Jornal de Brasília.

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