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Brasília

Mais de 400 crianças com lábio leporino fazem a festa no Hran

Arquivo Geral

14/10/2014 7h00

Para muitos, o Dia da Criança é apenas mais um dia, mas para os integrantes do Serviço Multidisciplinar de Atendimento ao Fissurados (Smafis), do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), a data é comemorada em cada atendimento. Neste ano, foi preparado um evento especial para os pequenos pacientes que nasceram com fissura labiopalatal ou lábio leporino. Mais de 400 pacientes participaram da festa.

Durante a programação, o corredor e o auditório principal do hospital ficaram lotados. Para a decoração, o tema escolhido foi o Pequeno Príncipe. Balões de tamanhos e cores variados, faixas e fitas deram forma ao cenário.

Mais de 500 brinquedos e 14 bicicletas foram distribuídos para as crianças. O repertório culinário, por sua vez, também foi atrativo:  bolo, cachorro quente, pipoca, refrigerante, suco, biscoitos e balas foram servidos. Os pacientes também participaram de atividades de pintura de rosto e conferiram a apresentação de um grupo teatral.

A estudante Maria Luiza Oliveira, 16 anos,  foi diagnosticada com anomalia labiopalatal dentro da barriga de sua mãe e recebeu todos os tratamentos no período certo. No ano que nasceu, ela teve que ir para o interior de São Paulo fazer uma cirurgia, pois o procedimento ainda não era feito em Brasília. 

No Hran, ela foi submetida as outras etapas do tratamento. Atualmente, como gratidão, ela trabalha como voluntária. “Toda segunda-feira eu venho aqui, quero ajudar todas as crianças que têm esse problema. Aqui no hospital eu me sinto muito bem”, conta, emocionada.

Atendimento humanizado

O médico Marconi Delmir afirma que o atendimento aos pacientes é feito de forma humanizada. “Para nós, a única coisa que importa são os pacientes. A equipe inteira está contente com o crescimento e buscamos virar referência no Brasil”, afirma. 

De acordo com o médico, todos os anos nascem cerca de cinco mil crianças com deformação labiopalatal no Brasil e só metade consegue ser atendida. “A tendência é que esta realidade mude”, acredita.

Carlos Alberto da Silva, pai de uma criança portadora da doença, conta que o problema foi descoberto durante uma ecografia. “Inicialmente, nos desesperamos com laudo. Depois, o hospital em que nós estávamos nos encaminhou para o Hran, onde fomos muito bem atendidos. Até hoje não acredito nos resultados que conseguimos”, relata.

Para o cirurgião plástico Marcelo Gêa, o tratamento começa antes do parto, quando os pais são acompanhados por um psicólogo. “Após o nascimento, a criança tem que operar o lábio  até os seis meses de idade para não prejudicar a fala”, afirma.

Saiba mais

O labiopalatal é uma malformação no lábio ou no céu da boca e, em alguns casos, em ambos. A causa da doença ainda não é conhecida. 

Estudos que comprovam que em 20% dos casos a origem é genética. A doença também pode estar relacionada ao consumo de drogas durante a gestação ou pela falta de ácido fólico no organismo das futuras mães. 

A cirurgia é recomendada antes dos seis meses de vida. Se tiver abertura no palato, este procedimento é  feito com um ano e meio de idade. O paciente deve ser acompanhado até os 18 anos.

 

 

 

 

 

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