Mais de 16.400 casais de Pequim se casarão na próxima sexta-feira, dia da abertura oficial dos Jogos Olímpicos, com o objetivo de estampar a data “08-08-2008” em suas certidões de casamento, em um país onde o número oito é considerado presságio de fortuna e alegria.
No total, 12.400 casais fizeram “reserva” pessoalmente para se casar, e outros 3.390 o realizaram pela internet, durante um período de inscrição que se abriu em junho e foi encerrado ontem, terça-feira, informou o rotativo “China Daily”.
O responsável do birô municipal de Assuntos Civis, Wu Shimin, afirmou que os departamentos de registro matrimonial dos principais distritos de Pequim – Chaoyang, Haidian, Dongcheng, Xicheng, Chongwen, Xuanwu, Fengtai e Shijingshan – abrirão nesse dia das seis da manhã até as seis da tarde.
Perante os riscos de filas, Wu assinalou que “o objetivo é conseguir 100% de satisfação para todos os casais”, de forma que possam estar oficialmente casados no início dos Jogos.
Para isso, o birô reforçou seus escritórios com 100 funcionários e disponibilizou um canal especial de casamento para os casais de voluntários dos Jogos Olímpicos, um privilégio para formalizar seu casamento e voltar rapidamente à organização do evento.
Ainda que poucas celebrações de casamento devam ser realizadas, e a maioria dos casos se limitem à retirada de certificados, alguns dos departamentos decoraram suas instalações especialmente para a ocasião.
“Os casais se sentirão como se entrassem em um salão de festas”, afirmou Li Chaogang, responsável do birô do distrito de Fengtai, no qual são esperados 1.600 casais, 30 vezes mais do que em um dia normal.
Enquanto isso, os hospitais e ginecologistas chineses se preparam para a avalanche de cesáreas que devem ser feitas no próximo dia 8 de agosto.
A “superstição do 8” está tão arraigada na cultura chinesa que um grande número de grávidas decidiu arriscar sua vida e dar à luz de forma prematura, inclusive com dois meses de adiantamento, para que seus filhos nasçam nesse dia.
Calcula-se que cerca de 18 milhões de bebês nascerão na China neste ano olímpico, meio milhão a mais do que em 2007, outra conseqüência desta verdadeira “febre do oito”.