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Brasília

Máfia capta clientes para funerárias do DF

Arquivo Geral

10/04/2016 8h00

Enfrentar um momento de dor pela perda e esperar pela boa fé de agentes funerários. Perder um ente querido no DF é ainda mais difícil quando se aproveitam de um momento de fragilidade para abusar dos valores de um funeral. Os valores não têm limite (leia nas páginas 2 e 3), mas o pior é o indício de uma máfia no mercado da morte para angariar clientes. 

Em 2008, a Câmara Legislativa abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar denúncias de ilegalidades, violação dos direitos humanos, atos de improbidade administrativa e preços altos dos sepultamentos. As investigações apontaram que havia uma “máfia do branco”, em que servidores de hospitais repassavam informações para funerárias em troca de comissões. 

No ano passado, o então deputado distrital Olair Francisco (PTdoB) sugeriu, em plenário, a instalação de uma nova CPI dos Cemitérios diante da notícia de que um corpo havia sumido do cemitério do Gama. Entre os trabalhadores do setor funerário, há a certeza de que as investigações são necessárias perante os indícios de irregularidades constantes. 

Quem trabalha na legalidade diz enfrentar, diariamente, as rasteiras dadas por funerárias que dão um jeitinho para arrumar clientes. Nos locais de identificação de corpos dos hospitais, nos cartórios e no Instituto Médico Legal (IML), funcionários das funerárias e servidores públicos fazem militância para abordar potenciais clientes antes mesmo da confirmação de óbito. 

“Isso é contrário à lei, que proíbe esse tipo de agenciamento”, garante o coordenador de Assuntos Funerários (CAF) da Secretaria de Justiça, Adailson Oliveira. “Nós fazemos fiscalização periódica nesses locais, mas há dificuldade de encontrar. Atendemos toda e qualquer denúncia que chega ao órgão fiscalizador, seja por e-mail, vídeo ou pela ouvidoria”, argumenta. 

Deslealdade

“A deslealdade é grande e acontece em todo lugar. O pessoal de dentro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do IML oferecem os serviços. Eu já vi. Clientes já contaram. É antiético, mas acontece demais”, contou uma agente funerária, que terá a identidade preservada. 

Em Ceilândia, donos de uma funerária denunciada por distribuir cartões em frente a cartórios não quiseram receber a reportagem.

“Não sei como souberam”

Em 2013, após a morte da filha, a auxiliar de serviços gerais Maria Melo, 43 anos, recebeu, na porta de casa, um carro de funerária que não havia chamado. “Não sei como souberam. O corpo ainda estava em casa, estávamos muito abalados e tivemos que expulsar aquele pessoal”, lembra. 

“Existe uma máfia”, garante o presidente da Associação das Funerárias do DF (Asfundf), Francisco Ribeiro. “Escutam o radinho da polícia e, quando tem óbito em casa e a polícia faz o chamado do rabecão, alguém se antecipa e liga para a família oferecendo os serviços”, conta. Para ele, muitos que agem de má-fé. 

GDF desconhece

Coordenador de Assuntos Funerários (CAF) da Secretaria de Justiça, Adailson Oliveira diz não saber da presença de uma máfia:  “É uma declaração dele (Francisco Ribeiro, presidente da Asfundf). Ele é empresário do ramo e pode falar algo que o beneficie ou que denigra o órgão. A gente trabalha para manter o serviço sob controle e uma afirmação dessas mancha o trabalho”. 

“Em 2008, a CPI foi apurada e lançado um relatório conclusivo. Hoje, a situação é diferenciada. Embora o serviço não esteja licitado, não há funerária sem fiscalização”, garante Adailson. 

Ele explica que as empresas têm a documentação vistoriada mensalmente e, periodicamente, visitas são feitas. Os carros são credenciados em parceria com    o GDF e válidos por um ano.

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