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Brasília

Mãe das crianças resgatadas acredita na versão dos filhos, mas nega ter visto as agressões

Arquivo Geral

04/08/2017 21h00

Foto: Raphaella Sconetto

Raphaella Sconetto

raphaella.sconetto@jornaldebrasilia.com.br

Os cinco filhos de Antônia Basílica do Rosário, de 30 anos, estão em abrigos sociais recebendo conforto e alimentação necessários. Os irmãos de 9, 12 e 13 anos, estão em uma casa em Santa Maria (DF), onde foram levados por um casal que mora na região na quarta-feira (02). Já os meninos de 4 e 6 anos estão em um abrigo social em Formosa (GO), depois de serem recolhidos pelo Conselho Tutelar nesta quinta-feira (03). O pai dos três mais novos e padrasto dos outros, Faustino Felício dos Santos, de 46 anos, é suspeito de obrigar os meninos a trabalho escravo, além de agredir físico e psicologicamente.

A mulher afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília que acredita na versão relatada pelos filhos, mas contou que nunca viu os filhos sendo agredidos ou torturados. “Se aconteceu alguma coisa foi debaixo dos meus olhos. Chegou até a mim só agora. O Faustino sempre foi uma pessoa normal pra mim”, argumenta. A mãe nega também qualquer violência contra ela.

Questionado sobre a hipótese de que os meninos eram obrigados a fazer trabalho escravo, Antônia disse que as crianças ajudavam com pequenas coisas em casa. “Os serviços que ele pedia para os meninos fazer eram coisas simples como varrer o quintal e ajudar a fazer a cerca”, conta a mulher. Além disso, ela questiona a atitude tomada por Patrícia e José* (nomes fictícios), de terem pego as crianças sem avisar. “Ela não poderia ter feito isso. Ela tinha que ter conversado comigo, ter levado lá em casa”, diz.  

Antônia sentiu a falta dos três irmãos mais velhos por volta das 2h, da madrugada de quarta-feira (02). “Eu fiquei andando no meio do mato atrás dos meus filhos. Eu não ia voltar para casa enquanto eu não encontrasse. Até recebi uma mensagem depois dizendo que meus filhos tinham sido pegos por uma mulher, mas eu continuei procurando”, afirma.

Depois de ter o conhecimento do ocorrido, o Conselho Tutelar de Formosa foi até o assentamento verificar a denúncia. Eu entrei em contato com o conselheiro Hessley ontem de manhã. Pedi o relatório para ele e desde então a gente trabalhou para conseguir chegar até a mãe e o pai das crianças”, conta o conselheiro tutelar de Formosa, Camilton Santos da Fonseca.

Para o conselheiro, não há como negar a situação de vulnerabilidade que as crianças viviam. “A situação é crítica na casa dela. A casa é de lona, não tinha cama adequada para dormir, estava sujo”, aponta. No entanto, sobre as agressões, Camilton informa que o pai negou tudo, enquanto ele fazia a visita para recolher as crianças de 4 e 6 anos. “Ele questionou como estava explorando os meninos, se eles ficavam meio período na escola”, relembra.

Faustino teria, inclusive, relatado que tudo não se passa de uma briga entre moradores do assentamento. “Ele comentou que estavam colocando os filhos dele contra ele por conta de uma briga com o presidente da associação de lá. Que o presidente estava cobrando uma dívida de dois mil reais”, conta o conselheiro Camilton.

O conselheiro tutelar vai encaminhar o relatório de que os dois meninos mais novos já estão em um abrigo social em Formosa e que lá na Vara da Infância e Juventude  eles devem procurar outros familiares para ficar com as crianças.

 

(Veja a entrevista em vídeo aqui)

Polícia Civil já está no caso

Policiais militares e civis do Goiás prestaram apoio ao Conselho Tutelar de Formosa no momento em que foram retirar os dois meninos de 4 e 6 anos da custódia dos pais. A intenção dos agentes era pegar Faustino Felício dos Santos em flagrante.“Não teve porque as crianças que estavam lá não tinham lesões. Mas, o que se verificou era que é um local insalubre, de condições muito precárias, e foi decidido que as crianças deveriam ser trazidas para Formosa. A mãe não quis acompanhar”, detalha o delegado responsável, Jandson Bernardo da Silva.

O delegado conta que a Polícia Civil vai apurar se houve crimes de torturas, lesões e maus tratos. “Mas, vai investigar também se houve violência doméstica contra a mãe, só que os primeiros serão os crimes relacionados às crianças, que são a prioridade no momento”, afirma Silva.

O pai das crianças, Faustino Felício dos Santos, e outros moradores do assentamento de Morrinho vão prestar depoimento na segunda-feira (07).

 

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