Fábio Magalhães
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Ao longo da história, as madrastas carregaram a fama negativa de uma mulher má, originada nos contos de fadas. Agora, em tempos modernos, esse título, muitas vezes usado de forma pejorativa, está ganhando mais espaço na sociedade brasileira onde, até então, imperam as famílias tradicionais de primeira união. Essa nova realidade de configurações familiares é ilustrada pelo Censo Demográfico de 2010, onde é apontado que cerca de 10% das solteiras se casam com homens divorciados e, com eles, vem toda a bagagem de filhos. Diante desta realidade, a estimativa é de que, até o final desta década, 50% das famílias terão formação diferente da tradicional.
O fato de o pretendente ter filhos provoca preocupação em muitas pessoas, tanto mulheres quanto homens, que temem como será a relação com os enteados, inclusive se forem crianças. Mas, por vezes, passado o receio inicial, o resultado é uma convivência harmoniosa. Um exemplo é a história da dona de casa Josilene de Jesus, 50 anos, dos quais 25 anos foram dedicados ao atual relacionamento. Da primeira união, ela teve duas filhas. Já o marido teve três filhos do relacionamento anterior. Segundo Josilene, durante o namoro ela não sabia da existência dos filhos do companheiro.
“No início achei difícil, porque ele me disse que não tinha filhos. De repente, ele foi me apresentando um de cada vez. Foi um susto muito grande, porque ele falava que era separado. Confesso que fiquei com raiva porque ele mentiu, mas logo aceitei”, recorda a dona de casa.
Realização
Apesar de ter sido pega de surpresa com a existência dos filhos do companheiro, Josilene se diz realizada com a família que tem. O segredo da felicidade e da boa convivência com os enteados, de acordo com ela, é ter carinho e compreensão. “Eles não me chamam de mãe, mas eu os considero filhos de sangue e inclusive os oito filhos dos meus enteados me chamam de vovó. Nos damos muito bem, conversamos e sempre que podem eles nos visitam”, conta.
Outras milhares de famílias passam pela mesma situação de segunda união. Conforme o Censo de 2010, o número de casamentos realizados em todo o País a partir de uniões desfeitas cresceu 3,6% em relação ao estudo anterior. Neste mesmo ritmo, o casamento entre homens divorciados e mulheres solteiras cresceu de 4,1% para 6,3%.
Escritora e terapeuta familiar, Olga Inês Tessari analisa as novas configurações familiares como um acontecimento natural da nova sociedade. Em sua visão, para que o relacionamento dê certo, é necessário diálogo, companheirismo e, principalmente, a verdade.
“Essas novas famílias são tendências naturais. Em todo tempo temos pessoas criando novos relacionamentos e começando namoros. Normalmente, quando começa a namorar o parceiro, já se descobre que tem filhos e isso pode ou não ser um fator decisivo para a manutenção do relacionamento”, diz.
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