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Brasília

Lulu: De 0 a 10, qual é a sua nota?

Arquivo Geral

28/11/2013 10h00

Lulu. Esse é o nome do mais novo aplicativo que virou febre no Facebook. Por ele, as mulheres podem avaliar qualquer amigo que possua um perfil na rede social. Funciona assim: elas respondem perguntas em relação à aparência, humor, bons modos e podem apontar qualidades e defeitos, usando hashtags (palavras chave ou termos associados a uma informação) engraçadas. No final, baseado nas respostas dadas, o próprio programa se encarrega de dar uma nota para o rapaz.

 

As garotas só precisam baixar o aplicativo pelo Facebook ou a versão gratuita para Android e IOS. Não é possível escrever textos. As respostas são pré-definidas e ficam em um banco de dados para serem escolhidas. A identidade das avaliadoras é protegida. Os garotos não podem autorizar ou não as ações femininas e não têm acesso às notas, restritas às mulheres. Se quiserem, eles podem sair do aplicativo. 

 

Foi num encontro com as amigas que a jamaicana Alexandra Chong teve a ideia de criar um sistema de buscas com informações sobre pretendentes, ex-namorados e ficantes. A partir daí, ela criou o site Luluvise, lançado com sucesso em 2011, e, depois, o aplicativo Lulu. 

 

Recém-chegado ao Brasil, o programa, que divide opiniões, já é um dos mais baixados desde a semana passada. O país foi escolhido para ser o segundo a receber o aplicativo, após os Estados Unidos, onde mais de 1 milhão de usuárias utilizam o sistema. Chong disse que “o aplicativo foi criado para dar às mulheres o poder de tomar decisões em relação a temas como relacionamentos, beleza e saúde”. Segundo ela, “o Brasil foi uma escolha fácil para o lançamento por que é um dos países mais sociáveis, com uma forte cena de festas e encontros”.

 

Invasão de privacidade

 

A estagiária Lidiane Barros, 23 anos, diz que achou o posicionamento de muitas mulheres agressivo no aplicativo. “As meninas estão pegando pesado. Se fosse o contrário eu não curtiria. É invasivo. Também é a primeira vez que o homem é colocado nessa posição. Acho que isso ajudou a causar todo esse burburinho”, acrescenta.

 

O professor de dança Gabriel Sales, 27, fala que as pessoas muitas vezes não se conhecem o suficiente para fazer avaliações. “Muitos amigos do Facebook não nos conhecem tanto. Vejo o Lulu como uma brincadeira. Não ficaria chateado se fosse avaliado”, fala. 

 

Perguntada sobre um sistema similar onde os homens avaliem as mulheres, Alexandra Chong respondeu que não pensa nisso agora. “Tudo vai depender de como o aplicativo será concebido e se incluirá proteção contra abusos”, afirma. Sobre um produto para o público LGBT, Chong diz que a equipe do Lulu está interessada. 

 

A verdade é que para muitas pessoas o Lulu é só uma brincadeira virtual. Para outros, a situação é mais séria e envolve danos morais e privacidade. Revoltados, muitos homens têm buscado até a Justiça.

 

A resposta masculina já está a caminho

 

Nesta semana foi compartilhada em um perfil do Twitter suposta petição feita por um estudante de Direito de 26 anos, relativa a danos particulares que o aplicativo teria lhe causado. Segundo especialistas, há leis que sustentam as reclamações dos que se sentem afetados.

 

O artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor diz que “toda vez que for aberta uma base de dados de um consumidor ele deve ser comunicado”. Se as regras do aplicativo estiverem em conformidade com os termos de uso da rede social em que está inserido, e tendo em vista que o usuário concorda com os termos quando passa a integrar a rede, não há muito a ser feito. 

 

Polêmica

 

Para se defender da polêmica, a diretora da agência Lulu no Brasil, Caroline Andreis, garante que o aplicativo  foi criado “dentro dos limites constitucionais e visa criar ambiente seguro e divertido”. 

 

E a revanche masculina parece estar próxima. Está sendo desenvolvido um aplicativo com os mesmos objetivos para homens, o Tubby. Ele está em construção, mas a página que o divulga já está disponível para compartilhamentos no endereço www.tubbyapp.com/.

 

Saiba mais

 

A assessoria de comunicação do Facebook Brasil informou que “o aplicativo não viola os termos de uso e privacidade do Facebook por que só acessa as informações marcadas pelos próprios usuários como públicas”.

 

Segundo a assessoria, quando a pessoa entra no Facebook e concorda com os termos ela já aceita o acesso do público geral, pelo menos, à sua foto e nome. São essas informações básicas que os aplicativos utilizam”.

 

Como sair dessa

 

Mas se você é homem, não gostou da ideia e deseja ter seu perfil retirado do Lulu, basta enviar um e-mail para privacy@onlulu.com ou acessar a página http://company.onlulu.com/deactivate e clicar no botão “Remove my profile now” (em português: “Remova meu perfil agora”), que o seu pedido será prontamente atendido. 

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