A maior raiva da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se deu nos mais tensos momentos da crise do mensalão, quando seu próprio mandato esteve à prova, mas sim torcendo pela seleção olímpica do Brasil na derrota por 3 a 0 para a Argentina, na manhã desta terça-feira.
O clássico sul-americano pelas quartas-de-final das Olimpíadas de Pequim teria feito o político declarar que “nunca passou tanta raiva na vida”, segundo relato feito pelo líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes.
Com a derrota para o seu mais tradicional adversário no continente, o Brasil perdeu a chance de disputar o ouro olímpico, tendo agora que entrar na disputa pelo bronze com os belgas.
A disputa pela medalha de ouro olímpica ficará entre os algozes brasileiros da Argentina, que detêm o título dos Jogos pois foram campeões em Atenas, e os nigerianos, que também já venceram, só que 12 anos atrás, em Atlanta, em 1996. Segundo o deputado, o presidente afirmou que ficou espantado “com a falta de vontade de ganhar” dos jogadores e ponderou que, mesmo a disputa sendo com um adversário difícil, esperava mais dos comandados de Dunga.
“O presidente disse que nem nos piores dias do Corinthians passou tanta raiva quanto hoje”, afirmou o parlamentar, provavelmente em referência ao calvário da equipe do Parque São Jorge no final do ano passado, quando o time alvinegro foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro.
Tempo de sobra – Já na Câmara, onde os deputam vêm defendendo o começo de um ‘recesso branco’ para que possam se dedicar às campanhas que apóiam na esfera municipal, sobrou tempo para o ‘opinionismo’ em cima da derrota brasileira.
Corintiano e petista como Lula, o presidente da casa, Arlindo Chinaglia, fez questão de defender publicamente a demissão do técnico Dunga da seleção brasileira.
Já o presidente do Senado, Garibaldi Alves discorda: quer que a Confederação Brasileira de Futebol confie em um trabalho à longo prazo e mantenha o comando brasilerio.
“Falar da queda do Dunga depois da derrota para a Argentina é fácil. Quero dizer que eu já achava antes desses episódios que o Dunga era um técnico que precisava melhorar muito seu desempenho”, disse o petista, pedindo a cabeça do técnico.
Questionado sobre o pedido de demissão feito pelo colega, Garibaldi ainda tentou ser político ao elogiar Chinaglia, mas fez questão de discordar.
“Eu concordo em muitas coisas com o Arlindo Chinaglia, mas não nesse caso. Acho que deve se dar outra chance ao Dunga de continuar na seleção”, opinou.