O período de Natal e Ano-Novo trouxe resultados distintos para o comércio do Distrito Federal. Enquanto algumas lojas registraram crescimento expressivo no fluxo de clientes e nas vendas, outras mantiveram desempenho estável em relação a 2024. Em comum, os empresários apontam um consumidor mais cauteloso, atento a preços, descontos e formas de pagamento, além de expectativas positivas, porém moderadas, para 2026.
No setor de calçados e acessórios femininos, a loja Luiza Barcelos, localizada no Brasília Shopping, registrou aumento significativo no movimento. Segundo a CEO da Luiza, Juliana Rossi Prates Beltrão, o fluxo de clientes cresceu 29% no período. “Ao contrário do que acontecia antigamente, a maior saída foi de produtos de ticket alto para uso próprio, e não para presente”, afirma.

De acordo com a empresária, o período de férias tem favorecido as vendas. “O shopping está bem movimentado desde meados de dezembro”, observa. Para 2026, a expectativa é positiva, mas com cautela. “Temos muitos feriados, além de Copa do Mundo e eleições. São fatores que exigem atenção”, diz. Quanto à forma de pagamento, o parcelamento segue forte, ao lado do Pix, impulsionado por descontos. “Hoje o consumidor está mais consciente e compra com mais cuidado”, avalia.
Cenário semelhante, porém com desempenho mais estável, foi observado na Sonho dos Pés, loja de calçados femininos do Pátio Brasil Shopping. A empresária Carolina Laguardia explica que o fluxo de clientes ficou próximo ao registrado no fim de 2024. “Elaboramos várias estratégias de incentivo, como brindes e descontos progressivos, para alcançar a venda média desejada”, relata.
No período natalino, os produtos mais procurados foram rasteirinhas, por serem opções de presente com preço acessível, em torno de R$ 99,90, além de sandálias com brilho, voltadas para festas e confraternizações. Já as férias impactaram negativamente o movimento. “Após o Natal, a cidade fica mais vazia e o fluxo só melhora depois da primeira quinzena de janeiro”, afirma.
Para 2026, a expectativa é de crescimento em relação a 2025, mesmo com os desafios do calendário. “Vamos buscar estratégias para aproveitar esses eventos e fechar um ano positivo”, diz. Na loja, as compras parceladas continuam predominando.
No segmento de cosméticos, a avaliação também é de estabilidade no comparativo anual. Segundo Matheus Borges Lopes, proprietário da loja Natura do Pátio Brasil Shopping, o movimento no Natal foi maior do que nos demais meses, mas semelhante ao registrado no ano passado. Os itens mais vendidos foram hidratantes corporais e body splash, tradicionais no período de festas.
Durante as férias, as vendas tendem a se normalizar, mas o empresário destaca oportunidades com o público de fora da cidade. “Brasília recebe turistas nesse período, o que ajuda a manter o fluxo”, afirma. Para 2026, a projeção é otimista, com expectativa de crescimento de pelo menos 15% no faturamento mensal. Assim como nos outros segmentos, o parcelamento segue como a principal forma de pagamento.
Apesar das diferenças entre os setores, os relatos apurados pelo Jornal de Brasília, indicam um consumidor mais racional, que planeja compras, busca vantagens e evita excessos. Para os lojistas, o desafio em 2026 será equilibrar estratégias promocionais, calendário instável e confiança do consumidor para manter o crescimento do comércio local.