Os brasilienses começaram o ano com mais despesas com combustíveis. Logo na primeira semana de 2026, motoristas já têm notado um aumento no preço da gasolina e do diesel. Ambos estão mais caros porque os governos dos estados e do DF anunciaram o aumento da alíquota do ICMS para a gasolina e o diesel, que teve início no dia 1º de janeiro.
O aumento do imposto foi de R$ 0,10 por litro de gasolina e de R$ 0,05 por litro de diesel. Segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) a medida atende à legislação que simplificou a cobrança de um valor fixo por litro ou por quilo válido para todo o país, que deve ser atualizado anualmente.
A atualização é determinada pelos preços praticados pelo varejo dos combustíveis do ano anterior para o exercício de referência e reflete os valores médios nacionais pagos pelo consumidor final.
O presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, confirmou que já é possível notar o aumento dos preços, principalmente da gasolina, em locais do DF. “Em algumas regiões como Santa Maria e Núcleo Bandeirante e Entorno, que eu visitei em algumas reuniões que eu fiz, eu já verifiquei o reajuste do preço devido do ICMS”, explicou.
Quem depende de carro ou moto já sente o peso do reajuste no bolso. Jonatas da Silva é motorista de aplicativo e relatou ao Jornal de Brasília o impacto do aumento, sobretudo para quem precisa do carro para trabalhar. “Principalmente em janeiro, que é o mês mais fraco do ano, isso impacta nos nossos ganhos de forma absurda”, contou.
O motorista de aplicativo explicou que tem sorte de rodar com um carro econômico, mas que essa não é a realidade de muitos outros motoristas. “Em um carro que não faz 15km por litro, pagando R$ 6,60, às vezes R$ 6,80, é muito ruim”, destacou.
Segundo a Secretaria de Economia do DF (Seec-DF), o preço da gasolina A comum, que considera a média ponderada de todas as refinarias, entre as quais a Petrobras, teve queda de 21,3% entre janeiro e outubro. No contrafluxo, o preço da gasolina ao consumidor se elevou de R$ 6,18, em janeiro, para R$ 6,20, em outubro, um acréscimo de 0,3%. A principal razão foi o aumento de 31,3% no valor da margem de distribuição e revenda, que passou de R$ 0,96 para R$ 1,26 no mesmo período, conforme relatou o Boletim de Preços de Combustíveis do Ineep, de novembro de 2025.
Agora, na primeira semana de janeiro, é possível encontrar o preço do litro da gasolina a R$ 6,59 em diversos postos do DF. “Às vezes em lugares mais caros você vai ter que abastecer o carro com a gasolina praticamente a R$ 7. A gasolina comum. Então é muito difícil a nossa realidade em Brasília”, comentou Jonatas.
Atualizações anuais
Em março de 2022, o Congresso Nacional editou a Lei Complementar 192, que prevê a adoção de alíquotas orientadas pelo valor fixo por litro ou quilograma, independentemente do preço do combustível. Por efeito desta alteração, as Fazendas estaduais atualizam as bases de cálculo dos combustíveis anualmente.
O ajuste anual das alíquotas para gasolina e diesel considerou os preços médios mensais dos combustíveis divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de fevereiro a agosto de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.
Possibilidade de novos reajustes
Segundo Tavares, ainda não há previsão de novos reajustes quanto ao preço dos combustíveis. “Creio que pode haver [reajustes] porque o etanol anidro continua em viés de alta. Estamos na entressafra, e o etanol anidro é o que interfere no preço da gasolina em 1/3. Quando o etanol anidro sobe, e isso tem acontecido ao longo das últimas 7 semanas, o reajuste da gasolina também acontece, as distribuidoras repassam e o revendedor, num determinado momento quando acumula muito, acaba repassando também”, apontou o presidente do Sindicombustíveis-DF.
“Já no caso do diesel é uma dependência internacional. Aparentemente o preço do mercado internacional está para baixo. Pode ser que o governo possa reduzir o preço e, assim, o preço cair”, complementou. Perguntado sobre a possibilidade de uma redução no preço da gasolina, Tavares argumentou que ela existe caso a Petrobras faça alguma movimentação.
“Em outro aspecto, eu não vejo porque os fatores que influenciam diretamente são os impostos e a Petrobrás. Mas a Petrobras tem feito movimentos de redução ou aumento sazonais e quase que anualmente. Vamos aguardar, talvez ela faça isso agora, já que houve o reajuste do ICMS”, finalizou Tavares.