Kamila Farias
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De acordo com o presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Júlio Miragaya, aproximadamente 19% da população do DF vive em ocupação irregular. Segundo ele, são 12,8% moradores de áreas não regularizadas (na expectativa de legalização) e 7,1% em assentamento ou invasão. “É um percentual elevado, mas podemos perceber que a maior incidência é em região de baixa renda”, afirma.
Segundo ele, existem nove regiões com maior incidência de pessoas morando nessa situação, sendo duas de classe alta: Vicente Pires e Jardim Botânico. E sete de classe baixa, como Planaltina, Sobradinho II, Itapoã, Estrutural, Varjão, São Sebastião e Paranoá.
“As pessoas queriam regiões relativamente próximas ao Plano Piloto, pois é onde grande parte trabalha, e que ainda fosse possível encontrar lotes ou imóveis com o custo baixo, e regiões como Varjão e Paranoá apareceram assim. A mesma coisa aconteceu com Vicente Pires e Jardim Botânico, são próximos a Brasília e perto de áreas valorizadas, contribuindo para qualidade de vida”, observa Júlio Miragaya.
De acordo com o professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Flósculo, o processo de grilagem na capital federal começou pela classe alta, passando pela classe média e quem chega por último é a classe baixa.
“O pobre é o mais honesto e o mais penalizado, pois se tiver que derrubar em algum lugar, vão para a classe baixa, já que eles não têm condição de pagar advogado. Tudo começou com um servidor de alto escalão no final do governo Figueiredo, o mau exemplo veio de cima”, ressalta. No entanto, ele destaca que hoje não existe divisão, que há mistura de todas as classes sociais.
“Tem gente com muito dinheiro, que não precisava se meter com grileiro e nem morar nesse tipo de ocupação. Esse grupo está muito representado nas áreas de condomínios. E também tem muita gente de classe baixa, que são pessoas em busca de suprir sua necessidade de moradia. Independentemente da classe social, a questão é que a ocupação irregular se tornou epidemia no Distrito Federal”, declara o professor.