Duas irmãs desapareceram nas águas do Lago Paranoá durante a comemoração de um aniversário, na madrugada de ontem. Uma embarcação que transportava 11 pessoas, entre elas seis mulheres e cinco homens, naufragou em um trecho entre o clube do Senado Federal e o Hotel Alvorada, no Lago Norte. Seis sobreviventes foram transportados pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). As duas jovens, que não sabiam nadar, ainda eram procuradas até o fechamento desta edição. As buscas na superfície continuariam por toda a madrugada de hoje e os mergulhos seriam retomados agora pela manhã caso elas não fossem localizadas. O caso está sendo tratado pelas autoridades como o maior acidente náutico da história do Distrito Federal. Um rapaz identificado apenas como Gabriel só foi confirmado como passageiro no final da noite.
De acordo com informações repassadas pelo dono do barco e que estava à frente do leme, José da Rocha Costa Júnior, 33 anos, o acidente teria ocorrido por volta de 3h30. O passeio já estaria no final quando começou a entrar água na lancha. Em questão de segundos, a embarcação de 18 pés, Front Roll, afundou. Todos foram jogados ao lago, inclusive as irmãs Liliane, 18 anos, e Juliana Queiroz Lira, 21, que estão desaparecidas. “Temos informações que apenas três coletes salva-vidas estavam a bordo. Além disso, acreditamos que o naufrágio ocorreu pelo fato de a embarcação em questão comportar apenas seis passageiros e não dez como foi constatado”, afirmou o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Rogério dos Santos.
Sobreviventes
Duas pessoas conseguiram chegar às margens do lago. Após 1h15 nadando, José da Rocha alcançou o cais de uma casa na QL 15 do Lago Norte e acionou o Corpo de Bombeiros. Hugo Antunes de Oliveira foi até a margem do Hotel Alvorada. Os bombeiros foram alertados por José da Rocha às 4h45. Ao todo, 40 homens participaram da operação de busca.
Socorro
Quando as equipes do 1º Batalhão de Busca e Salvamento (BBS) chegaram ao local de jet ski, seis pessoas permaneciam boiando. Uma das sobreviventes, Rita de Cássia Queiroz Lira, 26 anos, também é irmã das duas jovens desaparecidas. Ela foi levada para o hospital com quadro de hipotermia – quando a temperatura corporal fica abaixo do suportável – e em estado de choque. As irmãs Natália e Júlia Serra de Oliveira também foram levadas para o Hran com quadro clínico semelhante. Os outros ocupantes do barco foram atendidos e liberados em seguida.
Além de dois helicópteros, seis barcos, jet skis e uma equipe formada por 12 mergulhadores passaram o dia buscando pela embarcação, que afundou em uma área de 25 metros de profundidade. O barco precisa ser encontrado para ser periciado pela Capitania dos Portos, órgão da Marinha responsável pela fiscalização no Lago Paranoá.
O piloto do barco passou, ontem de manhã, pelo exame de bafômetro. O teste constatou que José da Rocha ingeriu bebida alcoólica, mas dentro do limite permitido por lei. “O bafômetro apontou um índice de alcoolemia de 0,15, enquanto o limite máximo é de 0,3. Ele bebeu, mas não estava embriagado ”, apontou o tenente-coronel Rogério dos Santos.
Registros checados
A documentação do barco e do condutor estão em dia. Segundo o delegado fluvial de Brasília, comandante Rogério Leite, um inquérito administrativo será aberto para apurar as causas do acidente. “Vamos investigar as circunstâncias que podem ter provocado o acidente, como a capacidade excedente de passageiros. Aquele barco tinha condição de comportar apenas seis pessoas”, disse.
Balões de ar, que serão inflados por baixo do casco da embarcação, deverão ajudar a emergir a lancha. A Polícia Civil também abrirá inquérito. Caso fique comprovado que o barco partiu para o passeio com sobrecarga de peso, José da Rocha poderá ser indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar.
Ontem à tarde, o Corpo de Bombeiros convocou todos os mergulhadores que estavam de folga para participar das buscas. “Os sobreviventes não apontaram com exatidão onde o barco afundou. Então temos uma grande área para vasculhar”, explicou Rogério dos Santos. Alguns mergulhadores ouvidos pela reportagem afirmaram que a água estava muito fria, mesmo com o sol de ontem. “Portanto, na madrugada de sábado, a temperatura devia estar muito mais baixa, o que também dificulta a possibilidade de encontrar os corpos com rapidez”, explicou um mergulhador que preferiu não se identificar.
De acordo com ele, quando uma pessoa se afoga, a tendência é que o corpo afunde. “Em até 24 horas, o cadáver oxida e os gases corporais fazem com que ele volte à superfície. Entretanto, esse fenômeno pode levar até três dias para ocorrer, dependendo da temperatura da água, que neste caso particular está bastante fria”, disse.