Amanda Karolyne
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Com a crise hídrica que assola a capital, um dos espaços afetados é o lago do Parque da Cidade, cada vez mais seco. Para piorar, copos de plástico, embalagens de comida, pipas rasgadas e outros resíduos estão espalhados pelo que resta do espelho d’água. Tudo isso junto aos patos que habitam o local, que muitas vezes comem o lixo largado ali.
A Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer destaca que há um monitoramento diário. “Ressaltamos que o quadro não oferece risco aos peixes e à nenhuma outra espécie”, alega, em nota. O órgão responsável pelo Parque da Cidade diz ainda que, caso o nível não seja restabelecido pelas chuvas nas próximas semanas, o lago será reabastecido com água bruta (não tratada).
Segundo a pasta, em fevereiro último a Fundação Jardim Zoológico fez um estudo e constatou que a população de animais existentes no local está saudável. Com o apoio do Zoo, há um acompanhamento periódico.
Sobre o lixo deixado ali, a secretaria assegura que o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) faz a limpeza diária do local. “Devido aos descartes em local inapropriado feito pela população, o vento leva o lixo para o lago”, completa, em nota.
Cenário triste
O detetizador Igor Leonardo, 33 anos, costuma ir ao Parque da Cidade toda semana, mesmo em época de seca. Para ele, pior que o assoreamento é a sujeira. “O homem piora a situação. É triste ver esse lixo espalhado”, lamenta.
Frequentador de longa data do espaço, Igor observa que o descuido das pessoas sempre existiu. “Eu tento recolher as coisas que vejo espalhadas, porque temos de fazer a nossa parte”, comenta.
O sacerdote Fontenele Portela, 49 anos, e a contadora Noely Rocha, começaram a andar de bicicleta regularmente pelo parque. Para Fontenele, a ausência da água contribui para a situação do lago, mas a falta de educação do brasileiro aumenta o caos. “O parque tem uma ótima estrutura e já melhorou em muitas coisas. Mas temos que cuidar, porque vemos que não é só com o lago, os banheiros estão depredados também”, aponta.
Vindo da Espanha, o casal Juan Fernandez, funcionário administrativo de 46 anos, e a professora Maria Martinez, 46, sempre passa pelo parque para um passeio com os filhos. “É de chamar atenção, para a gente que é de fora, que os brasileiros usam muito plástico para tudo”, cita Juan.
Para ele, a condição do lago reflete os costumes brasileiros. “No supermercado tem sacola plástica, aqui fazem piquenique com pratos e copos descartáveis e jogam em local indevido”, comenta.
Solução inviável
O especialista em recursos hídricos Sérgio Koide destaca que o lago do parque, por ser artificial, não é autossustentável. “Para manter nível, o lago teria de ser abastecido pela Caesb, o que é complicado nesse período de racionamento”, afirma. Mas ele lembra que é importante preservá-lo devido aos animais. Ele pondera, ainda, que nada justifica a falta de cuidado da população com o espelho d’água.