O Laboratório de Análises Clínicas (LAC) do Hospital da Criança de Brasília (HCB), unidade da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, é essencial para o suporte diagnóstico em casos pediátricos complexos. Com uma produção anual superior a 560 mil exames, o LAC atende crianças e adolescentes com condições oncológicas, renais, cardiovasculares, hepáticas e genéticas raras, unindo assistência e pesquisa científica.
A estrutura do laboratório prioriza a eficiência, reduzindo o tempo entre a coleta de amostras e as decisões clínicas. De acordo com Joana Paula Pereira da Silva, gerente de Apoio ao Diagnóstico Terapêutico, os fluxos integrados minimizam a dependência de serviços externos e alimentam resultados diretamente no prontuário eletrônico, permitindo acesso 24 horas por dia à equipe multidisciplinar. Essa integração otimiza tratamentos individualizados e custos, especialmente em casos críticos.
Em áreas sensíveis como oncologia, o monitoramento de marcadores tumorais e toxicidade de quimioterapia é rigoroso. Na nefrologia e cardiologia, o controle de eletrólitos e biomarcadores em tempo real ajusta dosagens de medicamentos, prevenindo complicações. A gerente destaca que essa capacidade detecta desvios nos exames antes dos sintomas clínicos.
A humanização é um pilar fundamental. Protocolos incluem agulhas de menor calibre e parametrização para microamostras em recém-nascidos. A equipe, treinada em técnicas de engajamento com brinquedos terapêuticos, minimiza o trauma nas coletas. Joana Paula enfatiza o compromisso com o bem-estar físico, emocional e familiar, transformando desafios crônicos em rotinas gerenciáveis.
Um exemplo é Heitor Cristiano Silvano, de 7 anos, em tratamento para hipospadia. Acostumado aos procedimentos, ele prefere o cateter ‘borboletinha’, que considera menos doloroso. Sua mãe, Rafaela de Oliveira, relata que a explicação dos processos facilitou a adaptação, tornando as coletas mais tranquilas.
A eficiência é sustentada por tecnologia e protocolos de qualidade, com certificação ONA 3 – inédita em unidades pediátricas públicas da região Centro-Oeste. Manuel de Paiva, supervisor do LAC, informa que 98% dos exames de urgência são entregues em até duas horas, com precisão diagnóstica de 98%. Controles internos e externos validam os resultados.
A fase pré-analítica, responsável por 70% dos erros laboratoriais, recebe atenção especial com treinamentos e tecnologia. Adimara Kely Souza, técnica de laboratório há sete anos, ressalta a importância de observar sinais como palidez para coletas prioritárias, fomentando o protagonismo das famílias.
A integração com o corpo clínico, incluindo discussões de casos e monitorização em tempo real para pacientes em terapia intensiva ou pós-transplante, humaniza os dados, tornando-os ferramentas ativas no cuidado.
*Com informações da Agência Brasília