Soraya Sobreira
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No Distrito Federal, 16,9% dos domicílios são chefiados por jovens de 15 a 29 anos. Destes responsáveis por manter as residências, a maioria tem entre 25 e 29 anos (30,41%). Entre aqueles de 20 a 24 anos, o percentual é de 16,5%, enquanto 4% dos jovens de 15 a 19 anos assumem este papel. Estes e outros dados apresentados pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) revelam o perfil da juventude brasiliense. A pesquisa mostra que ao assumir esta responsabilidade, também surgem consequências negativas.
Quanto mais cedo esse jovem ingressa no mercado de trabalho, mais ele tem deixado de investir na sua formação. A constatação da Codeplan foi feita por meio da avaliação da frequência escolar. Em 2010, o total de jovens de 20 a 24 anos que não frequentavam a escola era grande, próximo a 50%. “Isso indica evasão escolar após a conclusão do Ensino Médio, o qual se conclui normalmente aos 17 e 18 anos, possivelmente devido à entrada no mercado de trabalho”, explica o presidente da Codeplan, Júlio Miragaya.
Consequentemente, a média dos rendimentos obtidos por jovens de 25 a 29 é 1,78 vezes maior que a dos jovens de 18 a 24, e três vezes maior que a da faixa etária dos 15 aos 17. “Percebe-se que quanto maior os rendimentos, pode-se indicar trabalho em tempo integral, o que dificultaria a continuidade dos estudos”, completa Miragaya.
Planos
Em uma jornada integral de trabalho, Leidiane Lisboa, 22 anos, não vê a hora de ser aprovada em um concurso público. Assim, poderá pagar uma faculdade. “Com o que eu ganho como copeira não dá para arcar com as despesas de uma faculdade. Então, aproveito o tempo que tenho para estudar por conta própria, e só assim conseguir mudar minha história”, planeja.
Ela reclama da falta de políticas públicas para inserir o jovem de baixa renda no Ensino Superior e no mercado de trabalho com qualificação profissional. “Saí de Minas Gerais à procura uma vida melhor. Desde os 18 anos tenho que trabalhar para ajudar nas despesas em casa. Moro com dois irmãos e, sempre que posso, mando alguma quantia aos meus pais”, detalha. Leidiane considera que o jovem deve trabalhar, mas que precisaria ter auxílio para conciliar com os estudos. “O estágio é uma boa saída, pois a rotina de trabalho é menor. Além de possuir o acréscimo de aliar o rendimento mensal com a formação profissional”, conta.