A ausência de uma testemunha arrolada pela acusação e pela defesa suspendeu o julgamento marcado para esta quinta-feira, 8/7, no Tribunal do Júri de Samambaia. Os réus Laiuço de Brito Santos e Michael da Mata Silva são acusados de matar a tiros Martiney de Carvalho Lopes e tentar matar, com disparos de arma de fogo, Alan Araújo, Aldo Andrelino, Marcelo Domingos, Washington Almeida, Leonardo Felix e Rafael de Jesus. Uma estratégia da defesa dos réus indicou como imprescindível o depoimento da testemunha de acusação ausente hoje, impossibilitando que o júri fosse realizado, mesmo com a presença das demais 14 testemunhas arroladas. A juíza marcou um novo júri para o dia 19 de agosto de 2010, a partir das 8h30.
O Ministério Público sustenta que o assassinato aconteceu por motivo torpe, uma vez que os denunciados pensaram que as vítimas eram residentes na QR 403 de Samambaia, quadra que consideravam rival, e que por esta razão mereciam morrer e praticado com recuso que dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas enquanto conversavam distraidamente.
Narra a denúncia que no dia 6 de junho de 2009, por volta de 1h10, em plena via pública, Laiuço de Brito Santos, Valdeir Alves de Brito (vulgo Duduca), Felipe Gonçalves Dias (vulgo Kile) e Michael da Mata Silva abordaram, na esquina da quadra QR 603 de Samambaia, as vitimas acima citadas, que estavam paradas conversando, acreditando se tratarem de moradores da QR 403, quadra que consideravam rival. Alegando que as vítimas seriam matadores de pessoas da QR 603, os denunciados, armados com arma de fogo, determinaram a todos que se deitassem no chão e em seguida passaram a agredir as vítimas com chutes e coronhadas.
Segundo a denúncia, duas das vítimas, temendo uma execução, levantaram-se e sairam correndo, momento em que diversos disparos foram efetuados na direção delas, inclusive atingindo uma delas no abdômen. Em seguida, as demais vítimas, aterrorizadas, saíram correndo do local. Os denunciados efetuaram mais disparos de arma de fogo na direção das vitimas em fuga, não as atingindo por erro de pontaria. Feridos, Mardiney e Aldo permaneceram deitados no local, momento em que os acusados efetuaram disparos na cabeça de Mardiney, que morreu no local. Aldo conseguiu fugir, foi alvejado, mas não fatalmente.
O acusado Valdeir Alves de Brito encontra-se foragido e Felipe Gonçalves Dias interpôs recurso em sentido estrito. Os autos foram desmembrados em relação a esse e suspenso em relação ao acusado foragido. Os acusados Laiuço e Michael estão presos e serão julgados de acordo com o artigo 121, § 2º, incisos I e IV, do Código Penal, em relação ao assassinato consumado, e artigo 121, § 2º, incisos I e IV, c/c artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal, em relação ao assassinato tentado. Se condenados, poderão pegar de 12 a 30 anos de prisão.