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Brasília

Julgamento do Crime da 113 Sul é adiado: placar tem um voto contra e um a favor da defesa

Com pedido de vista do ministro Og Fernandes, julgamento de Adriana Villela no STJ será retomado em até 60 dias; três ministros ainda precisam votar

Tereza Neuberger

05/08/2025 15h11

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Retomado nesta terça-feira, o julgamento de Adriana Villela foi adiado pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por, no mínimo, mais 30 dias. Durante a sessão que durou menos de 30 minutos, o único voto lido foi o do ministro Sebastião Reis Júnior que deu o seu voto em concordância com a defesa de Adriana Villela. Já o ministro Og Fernandes, pediu vista, o que permite que o julgamento seja adiado para acontecer novamente em 30 dias no mínimo, e no máximo 90 dias. 

A arquiteta Adriana Villela não compareceu ao STJ nesta sessão, mas Carollina Villela, esteve presente. Após o pedido de vista, o que estabelece um novo prazo para o julgamento, e com o voto favorável do ministro Sebastião Reis, Carollina saiu do tribunal bastante emocionada, porém preferiu não falar com a imprensa.

Antes de proferir seu voto a favor da defesa, o magistrado destacou que havia identificado nulidades no decorrer da ação penal. Entre elas, a inclusão de documentos nos autos quando o tribunal do júri já tinha começado, por exemplo, o que teria comprometido a “paridade de armas” entre a defesa e acusação.

Com o voto do ministro Sebastião Reis Júnior a favor da defesa, e o voto do ministro Rogerio Schietti Cruz a favor da acusação, o julgamento aguarda ainda o voto dos ministros Og Fernandes, Saldanha e Otávio Toledo. Caso prevaleça o voto do ministro Sebastião Reis, que defendeu a anulação da condenação atual de Adriana Villela. Ela voltaria à condição de ré e um novo tribunal do júri deve ser convocado.

De acordo com o advogado de defesa, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Adriana está bastante confiante porque sabe que é inocente. Ele considerou o voto do ministro Sebastião Reis, como um reconhecimento das teses apresentadas pela defesa, e destacou as irregularidades no processo.

“Desde que nós assumimos o caso, nós alegamos inúmeras vezes, por escrito, em entrevistas, até mesmo no plenário, que foram muitas as irregularidades deste processo. Esse processo é o processo mais absurdo que eu já trabalhei, desde o início.”, ressaltou Kakay.

Em 11 de março deste ano, o relator do caso, ministro Rogerio Schietti Cruz, votou pela rejeição do pedido da defesa para anular o júri e pela imediata execução da pena. Porém o ministro Sebastião Reis Júnior, presidente da 6ª Turma do STJ, entrou com pedido de vista. 

Segundo o ministro Rogerio Schietti Cruz, a maioria dos juízes populares considerou que as provas da acusação indicavam a autoria dos crimes indicados. O relator disse ainda que, mesmo que “haja divergência entre as provas, deve prevalecer a decisão do júri”. “Não vejo qualquer possibilidade de rever qualquer posição dos jurados.”

O julgamento estava previsto para ser retomado em 10 de junho deste ano, mas foi adiado novamente para esta terça-feira. O novo pedido de vista, apresentado pelo ministro Og Fernandes é o último que pode ser solicitado. 

A arquiteta foi condenada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) em júri popular a 61 anos de prisão, em 2019, por ser apontada como mandante do assassinato dos pais José e Maria Villela, e da empregada da família, Francisca Nascimento, assassinados com mais de 70 facadas no apartamento da família, localizado no sexto andar de um prédio na 113 Sul, em agosto de 2009.

Adriana foi condenada ainda, a 3 anos e 6 meses pelo furto de joias e dinheiro. Porém, as penas não são somadas e o juiz é quem decide o tempo total. Em primeira instância, a Adriana foi condenada a 67 anos e 6 meses de prisão. A defesa dela recorreu e, três anos depois, o TJDFT diminuiu a pena para 61 anos e 3 meses.

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