Da Redação
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No pátio da escola, enquanto jogava pingue-pongue com uma colega, Kamilla, da 7ª série, não gostou de uma brincadeira que outra menina, da 5ª série, fez ao passar. Ela incitou a colega a bater na menina, mais nova. Como a parceira de pingue-pongue não quis “resolver”, ela mesma foi “ensinar uma lição à menor”. Na briga, Kamilla deslocou o nariz da garota com um soco. À época, foi levada para a Delegacia da Criança e Adolescente (DCA). Kamilla Karen Batista, hoje com 18 anos, não briga mais na escola.
A violência trouxe mais desdobramentos que uma medida sócioeducativa para a vida da estudante do 3º ano do Ensino Médio, no Centro Educacional (CED) São Francisco, de São Sebastião. Hoje ela é uma mediadora de conflito do Instituto Pró-Mediação, que promove prevenção de violência entre os alunos da escola. O curso trabalha questões de resolução de conflitos por meio do diálogo. São Sebastião é uma das comunidades que já sofreu com os conflitos entre jovens de gangues, similares ao que ocorreu com o adolescente do Caseb, espancado na semana passada.
Para a vice-diretora do CED São Francisco, Gisa Porto, a mediação de conflitos é fundamental na localidade. “É um jeito de mostrar a convivência pacífica”. Ela fala com a experiência de quem viveu situações dramáticas na pele, acompanhando e agindo para evitar as “guerras” entre gangues na escola.
Em 2008, quando o CED São Francisco foi criado, esteve num prédio provisório, na região central de São Sebastião. Na época, foram transferidos para lá alunos de quadras rivais. Em pouco tempo, membros de gangues da região da escola descobriram os supostos inimigos pela distância das quadras. Gisa diz que a situação foi muito ruim. “Naquele momento ficamos cercados. A Polícia Militar ajudou muito, mas isso era pontual, só para crises mesmo”.
Para ela, a ação da PM não resolvia a causa dos conflitos, que normalmente ocorriam por motivos banais, pequenas brigas iniciadas dentro da escola, caso parecido ao espancamento na Asa Sul.
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