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Brasília

Jovem usava nome do PCC para extorquir homens em sites de acompanhantes

A ação batizada de Operação Falso Anúncio, foi coordenada pela 15ª Delegacia de Polícia de Ceilândia Centro

João Victor Rodrigues

20/08/2025 11h24

Foto: redes sociais

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em conjunto com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), prendeu na manhã desta quarta-feira (20/8) uma jovem de 23 anos suspeita de integrar um esquema de extorsão pela internet. Identificada como Ketlin Tatiele Santana Amaral, ela se apresentava como especialista em estética e seria responsável por criar anúncios falsos em sites de acompanhantes, além de interagir diretamente com as vítimas e enviar mensagens ameaçadoras.

A ação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Criminal do DF. Nos locais, foram recolhidos celulares, computadores, documentos, mídias digitais, chaves Pix e dinheiro em espécie. O material apreendido será usado para ampliar as investigações e identificar novas vítimas.

O caso que iniciou a investigação

As apurações começaram em fevereiro deste ano, após um homem de 31 anos relatar ter sido vítima do golpe. Ele contou que acessou um site de acompanhantes e combinou um encontro por R$ 100 em um hotel de Taguatinga. O pagamento foi feito via Pix, mas logo após a transferência, recebeu a exigência de mais R$ 100, sob a justificativa de “liberação do quarto”.

Desconfiado, o homem desistiu do programa. A partir daí, passou a ser ameaçado por mensagens de WhatsApp enviadas por um suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), que dizia ser o cafetão da garota. O criminoso exigiu R$ 500 alegando que a agenda da jovem teria sido prejudicada. Para intimidar, enviou fotos da família e de um veículo da vítima, obtidas em seu perfil no Instagram.

Com medo de represálias, a vítima realizou o pagamento, somando R$ 600 ao todo. Ainda assim, o grupo passou a exigir mais R$ 1,5 mil, afirmando que só assim encerraria o caso. Sem condições de pagar e temendo novos ataques, o homem procurou a delegacia para registrar a ocorrência.

Valores envolvidos no golpe

  • R$ 100 – valor inicial do programa;
  • R$ 100 – cobrança extra para “liberação do quarto”;
  • R$ 500 – exigência sob ameaça de morte;
  • R$ 1.500 – cobrança final para “encerrar o caso”;
  • Total exigido: R$ 2.100
  • Total pago pela vítima: R$ 600

Estrutura criminosa

Segundo a polícia, o grupo atuava de forma organizada e com divisão de funções:

Ketlin Tatiele Santana Amaral, 23 anos – responsável pela criação dos anúncios, contato direto com as vítimas e envio de ameaças, utilizando e-mails falsos e celulares com múltiplos chips.

Homem, 27 anos – cuidava das contas bancárias e do recebimento dos valores, coordenando o fluxo financeiro.

Homem, 21 anos – alterava os números dos anúncios após cada golpe, dificultando o rastreamento.

Mulher, 21 anos, e homem, 23 anos – atuavam como “laranjas”, fornecendo dados bancários e chaves Pix, levantando indícios de lavagem de dinheiro.

Todos os investigados são naturais de Montes Claros (MG), onde foram cumpridos os mandados judiciais.

A PCDF segue analisando o material apreendido e acredita que outras vítimas, no Distrito Federal e em outros estados, também tenham sido alvo do mesmo esquema criminoso.

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