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Brasília

Jovem morre afogado após deixar festa e família busca explicação

Arquivo Geral

04/02/2016 6h00

Bianca Moura 

Especial para o Jornal de Brasília 

Edevaldo da Silva Gomes, 20 anos, pretendia ingressar na Marinha. Ao encontrar com amigos, na semana passada, confidenciou a vontade de morar sozinho e ser mais independente. O sonho acabou na terça-feira passada, às 5h30, quando seu corpo foi encontrado, sem camisa e com documentos no bolso da calça, no Lago Paranoá, próximo à Concha Acústica. Nesse local, ele trabalhou de bartender no domingo, em uma festa de música eletrônica. De acordo com a família, o rapaz teria sido retirado dali por dois seguranças, após um  suposto desentendimento.

No enterro, ontem à tarde, amigos e familiares buscavam encontrar uma justificativa para a tragédia, que consideram um mistério. “Ele era uma pessoa muito alegre,  estava cheia de planos para o futuro. Ele sabia   nadar. Não tem como aceitar que   simplesmente se afogou”, avalia o amigo Augusto Alves, 17 anos. 

O tio da vítima Ailton Marques afirma que, ao reconhecer o corpo, percebeu marcas de agressão no rosto, o que comprovaria um possível confronto. “Ele estava com olho roxo, cicatrizes na boca. Não dá para aceitar”, confirma.

Investigação

A 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) investiga o caso e, em princípio, trabalha com a hipótese de afogamento, sem envolvimento de outras pessoas. 

De acordo com a corporação, na madrugada de domingo, cinco brigadistas teriam atendido  um rapaz, com as características de Edevaldo, próximo ao local da festa, com convulsões e sinais de embriaguez. Durante o trabalho de retirada do corpo, a perícia técnica não encontrou sinais de violência.

Uma testemunha, que não quis se identificar, trabalhou com Edevaldo na festa. Ela diz que o rapaz havia sido flagrado por   colegas recebendo dinheiro para repassar bebidas por um valor inferior ao estipulado. A coordenação do bar teria questionado o rapaz sobre a operação, por volta das 23h, e, mesmo diante da negativa, dispensou o bartender  no mesmo momento. 

“O Edevaldo jogou o uniforme no chão. Eu vi  depois, quando já estava no portão, só que ele foi levado para uma saída mais discreta, sem muito uso”, detalha.

A reportagem procurou a organização do evento, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta edição.

Tese de homicídio não é descartada

Mesmo trabalhando na tese de afogamento, os investigadores não dispensam a hipótese de homicídio. Familiares, amigos e testemunhas que estavam na festa devem ser chamados para prestar depoimentos nos próximos dias, inclusive, os coordenadores da equipe do bar. O laudo deve ser concluído em até 30 dias.

“Ele foi embora sem receber”, diz testemunha

Essa não foi a primeira vez que Edevaldo trabalhou em eventos da mesma empresa. Familiares dizem que ele havia prestado serviço em uma festa no Pontão do Lago Sul e, depois, no show do Wesley Safadão, um dia antes do seu desaparecimento. “A coordenação do bar havia informado que, se não trabalhasse até o fim, não receberia nada. Ele foi embora sem nada”, disse a testemunha. O valor acertado era de R$ 80 por evento.

A mãe de Edevaldo, Maria Marques, sentiu a falta do filho na segunda-feira à tarde, quando soube que o jovem teria sido dispensado do trabalho antes do fim da festa. Ligou para amigos e parentes, mas só teve notícias na manhã de terça-feira, com um telefonema da polícia pedindo para ela comparecer à delegacia. “Pensei que ele tinha sofrido um acidente ou outra coisa. A gente nunca espera isso. Meu sentimento é que ele foi jogado sem vida no lago”, lamenta.

Produção manifesta solidariedade

Produção da festa Federal Music manifestou solidariedade, por meio de nota, à família de Edevaldo da Silva Gomes, 20 anos,  encontrado morto, na terça-feira passada, no Lago Paranoá, próximo à Concha Acústica. O rapaz foi visto pela última vez  no domingo, quando abandonou a festa de música eletrônica  em que trabalhou como bartender. A 5ª DP (Área Central)  trabalha com a hipótese de afogamento, sem envolvimento de outras pessoas.

Segundo uma colega de trabalho, Gomes teria sido flagrado recebendo dinheiro de clientes por repassar bebidas por um valor inferior ao estipulado, o que motivou a coordenação a dispensá-lo. A produção da festa reforça que Edevaldo foi embora  às 20h25 e que testemunhas relataram que não houve   agressão.

Durante o trabalho de retirada do corpo, a perícia técnica não encontrou sinais de violência no corpo. Amigos e familiares questionam essa versão e tentam encontrar uma justificativa para a tragédia.

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