As redes sociais não cansam de surpreender. Desta vez, um fato inusitado chamou a atenção dos brasilienses. Uma jovem encontrou uma câmera fotográfica em um estacionamento na Asa Sul e, ao tentar localizar o proprietário, postou uma das fotos que estava no equipamento em sua página pessoal no Facebook. O resultado foi rápido e surpreendente. Em 40 minutos, as pessoas foram identificadas.
A autora do feito, a administradora Celi Manhezi, 27 anos, conta que no momento em que achou o equipamento já pensou no que poderia fazer para achar o dono. Foi aí que surgiu a ideia de compartilhar. “Foi muito rápido. Bem mais do que eu poderia imaginar. No começo achei que não fosse dar certo porque a foto não tinha identificação”, conta.
Segundo ela, a câmera estava dentro de uma bolsa no chão de um estacionamento da 106 Sul. “Fiquei muito feliz por ter conseguido ajudar essas pessoas”, afirmou.
A alegria da jovem é compartilhada a servidora pública Maressa Farias, 36 anos, filha de Maria Helena, dona da máquina, que ficou sabendo sobre a postagem por uma amiga. “Ela me ligou perguntando se eu tinha perdido minha câmera, porque tinha uma foto da minha família na internet”, afirma.
Ao se deparar com a imagem, ela resolveu procurar Celi para pegar o produto de volta. “Ficamos muito felizes com a iniciativa. Hoje em dia as pessoas não se preocupam em devolver o que acham, ainda mais se der trabalho procurar o dono.”
Para Celi, no entanto, o fato de devolver o equipamento ao dono não deve ser encarado como heroísmo. Segundo ela, esse tipo de atitude deve ser algo natural para todos.
De acordo com ela, essa não é a primeira que a internet foi uma aliada para ajudar o próximo. “Uma vez achei um documento e devolvi depois de postar, disse.
Depois de todos os contatos veio a devolução oficial do equipamento. A mãe e as duas filhas encontram a administradora em sua loja, no Sudoeste.
História
A foto que Celi postou nas redes sociais tem um significado único para a família. Ela foi tirada no dia em que eles foram ao Estádio Nacional de Brasília assistir ao jogo entre Brasil e Holanda, na decisão de terceiro lugar do Mundial.
Atitude tem sido comum
Para o sociólogo e especialista em comportamento nas redes sociais Marcello Barros, o uso da internet para iniciativas como o de Celi está cada vez mais frequente. Segundo ele, as pessoas estão usando as redes sociais como uma nova ferramenta para atos de solidariedade por causa da facilidade e por trazerem resultados rápidos.
A psicóloga Rosana de Castro, no entanto, ressalta que apesar dos crescentes casos de uso das redes sociais para fazer o bem, há muitas pessoas que a usam de forma equivocada.
“É evidente o poder de alcance que a ferramenta tem, mas o excesso de exposição tem sido muito comum”, disse. De acordo com ela, o segreso está no equilíbrio.