João Rodrigues
Especial para o Jornal de Brasília
Na era da internet, os jovens costumam se divertir com jogos de maneira isolada e sem interagir com os colegas. Mas ainda há formas para a galera marcar de se encontrar e se divertir ao vivo com os amigos que possuem o mesmo gosto por jogos, no caso, de tabuleiro, os chamados board games, que contêm miniaturas, cartas, que exigem interpretação como RPGs (Role-playing game ou jogo de interpretação de papeis), além dos tradicionais, como damas e xadrez.
Um desse jogos ocorreu ontem no 3º Joga Brasília, realizado no Hotel Brasília Imperial (Setor Hoteleiro Sul). O evento foi organizado pela loja Orgutal (205 Norte). Aproximadamente 280 pessoas se divertiram no evento.
“(O Joga Brasília) é um evento de jogos no qual reunimos várias empresas para oferecer diversão para as pessoas e proporcionar divertimento numa mesa de jogos onde você está olhando nos olhos das outras pessoas e interagindo”, conta o organizador e dono da Orgutal, Luiz Claudio da Mata.
Criação
O projeto foi criado para ajudar o mercado local de board games e fazer com que esse entretenimento cresça, pois, para Luiz, isso faz bem para quem participa. “É socialmente saudável as pessoas poderem se conhecer, estarem jogando e olhando de frente para alguém sendo que, talvez, vocês não teriam se conhecido de outra forma”.
O Joga Brasília sempre acontece no mês em que Brasília sopra velinhas e a 4ª edição já está sendo pensada. “Vai ser na época do aniversário da cidade sempre, mas a ideia é crescer para não caber em um dia só”, diz Luiz Claudio.
Cumprindo o objetivo de divulgar lojas locais que trabalham com board games, estabelecimentos também marcaram presença. Um deles foi a Boardgame em Casa (314 Sul), que trabalha com aluguel de jogos para Brasília e todo o Brasil.
O Moebius Café (114 Norte) também teve um estande. A casa oferece o serviço tradicional de lanches e bebidas somado à possibilidade dos clientes poderem jogar. Para a sócia Havane Melo, 29 anos, a ideia do Joga Brasília é boa para as empresas: “É um grande canal de comunicação com o público e divulgação da nossa proposta”.
Palestra
O mestrando em design e aposentado Luiz Claudio Duarte compareceu ao evento para dar a palestra Traços Sugestivos na Estratégia de Jogos. A temática foi usada em seu mestrado. Morador de Curitiba há três anos, ele lembra que a cena dos jogos de mesa em Brasília já era “vibrante” na época em que morava na capital.
Saiba mais
A intenção principal da professora Rita de Cássia não é apenas se aproximar dos alunos. “Eles têm muita dificuldade em interpretar enunciados de questões. O jogo traz muito a questão de você entender a regra para executá-lo. Então, isso auxilia o raciocínio. Na hora da prova, eles já têm mais facilidade de entender o que o exercício está pedindo”, explica.
A mesma opinião é partilhada pela professora de Biologia Mirella Prado, 33 anos. Para ela, os seres fantásticos dos RPGs podem ajudar na curiosidade das crianças. “Como há muitos jogos que tratam de criaturas fantásticas, isso meio que gera uma discussão do tipo ‘olha, tem um animal de verdade que parece com esse que é uma criatura fantástica’. Isso estimula a criatividade”, descreve.
Mirella joga desde a adolescência, já teve vários grupos – um deles formado só por meninas – e tem uma coleção de jogos com o marido. Já participou de outros eventos de jogos, mas é a primeira vez que participa do Joga Brasília. “Estou achando muito bacana, muito bem organizado e tem um espaço excelente”.
Jogos ajudam na educação em sala de aula
Não é segredo que a educação tradicional não consegue atingir jovens cada vez mais conectados ao mundo da internet. Os educadores precisam aprender a lidar com essa nova realidade e a usar métodos lúdicos para atingir a missão de levar a educação às gerações futuras.
Assim pensa a servidora e professora de letras Rita de Cássia, 43 anos. A educadora estava no Joga Brasília se divertindo ao lado do marido, Sérgio de Faria, 36, e da filha Marina, de cinco anos. Ela conta que acredita no uso dos board games como incentivador e desenvolve um projeto com seus alunos do sexto e sétimo ano do Centro de Ensino Médio 1, 106 Sul.
“Eles gostam muito de trabalhar com esses jogos porque é memória, criatividade, percepção espacial”, conta. Segundo Rita de Cássia, os jovens participam desses jogos e superam os obstáculos de quem mora longe do Plano Piloto, já que a maioria mora em Samambaia, Santa Maria, Recanto das Emas. “Eles se viram para poderem participar. A distância não importa”, diz.