Mariana Rosa
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Entre o inverno e a primavera. É nesse período do ano que as folhas das árvores caem e revelam um dos moradores mais encantadores das terras brasilienses. Para os mais distraídos ou menos detalhistas, o fenômeno passa despercebido. A dica é olhar para cima, parar um minuto a correria e apreciar. A pequena bola marrom nos galhos anuncia: o João de Barro está por aqui.
Envolvido por lendas e histórias populares, a pequena ave é tipicamente vizinha dos humanos. Preferem vegetações alteradas como cidades tranquilas, pastagens ou fazendas. É possível brincar de contar casinhas. Com certeza tem uma perto de você, ou muitas. Tem João de Barro morando em um dos metros quadrados mais caros de Brasília, como na 308 Sul. Tem os que preferem pontos turísticos e escolhem árvores com vista para a Torre de TV.
Casa dividida
Os mais atléticos buscam as várias opções de verde no Parque da Cidade. Tem passarinho nas Regiões Administrativas, tem na beira do Lago Paranoá, tem nos campos do Cerrado. Tem João de Barro por todos os lados dessa cidade. A casinha dele é dividida em dois ambientes. O hall de entrada e o nível superior, representado por um degrau. Nele fica um pequeno quarto onde o ninho é aconchegado. O casal demora cerca de 18 dias para deixar tudo pronto. É uma incansável busca por barro, folhas e musgos. O lar fica com cara de uma bola, com buraco no meio, normalmente voltado para o nascente. Mede cerca de 30 centímetros de diâmetro na base e as paredes têm espessura de até cinco centímetros.
Ela é construída quando o casal decide se reproduzir. A moradia pode ser usada várias vezes, mas sempre pelos mesmos companheiros. O João de Barro é capaz de reparar a construção da casa se com o tempo algum buraco surgir. E, ainda, construir uma espécie de segundo andar, sobre a antiga.
O passarinho é um romântico nato. Vive sempre em casal. Até quando cantam, cantam juntos, formando um dueto, nunca desafinado. Só se separam caso algum predador mate a ninhada. Isso é um sinal de que as coisas não vão bem. Em comum acordo, se separam em busca de um recomeço.
O João de Barro se acasala uma vez por ano, logo no início das chuvas. A fêmea põe entre três e quatro ovos. Os filhotes ficam ao abrigo da mãe entre 23 e 26 dias, depois estão prontos para seguirem sozinhos. O professor de zoologia e especialista em pássaros da Universidade de Brasília, Miguel Marine, desmistifica o pássaro.
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