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Brasília

JBr.Exata: 91% dos brasilienses não creem em impostos mais caros como garantia de benefícios

Arquivo Geral

09/09/2015 6h00

Eric Zambon

eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

Pesquisa do instituto Exata Opinião Pública, em parceria com o Jornal de Brasília, revela que 91% dos  moradores da capital entrevistados não crê em impostos mais caros como garantia de benefícios para a população. Ontem, o JBr. mostrou que, conforme a mesma pesquisa, 92,8% dos cidadãos discordam da política de reajustes da atual gestão.

Na visão do economista César Bergo, os contribuintes tendem a rejeitar eventuais reajustes por não testemunharem mudanças positivas em suas respectivas cidades. Isso fomentaria a  descrença na máquina pública. “Você paga imposto de lixo, mas a cidade vive suja. Por outro lado, vê muito esquema para pegar motorista em blitz. Esse tipo de situação coloca o governo como inimigo”, exemplifica.

Há uma semana, o GDF enviou à Câmara Legislativa proposta de aumentar a Contribuição de Iluminação Pública (CIP) em 32,5%. Isso influenciaria no preço da conta de luz, reajustada, em média, em 18,66% este ano. A iniciativa, porém, ainda tramita na Casa, que, neste ano,  já sinalizou rejeição a outras tentativas.

Equação simples

O administrador de empresas  Felipe Pinto,   37, acredita que a quantidade de impostos   é excessiva e um aumento pouco surtiria efeito, em termos de obras   e manutenção da cidade. Ele incorre na teoria de que “sem corrupção e com melhor uso dos recursos, não haveria tantos problemas”, mas vai além.

“Moro no Lago Norte e, na minha rua, já recapearam o asfalto duas vezes neste ano. Fui a um festival de música em Ceilândia e a  condição das ruas está péssima”, exemplifica. Ele lamenta a situação e acredita existir problema de gestão mais antigo do que o atual governo. “Dinheiro há, pois as obras são feitas. Onde ele está sendo aplicado é que é o problema”, completa.

O pedreiro Lisso Alves da Silva, 58, concorda e estende a questão de haver dificuldade ao gerir os recursos para todo o Brasil. “Luz, água  subindo direto, mas o serviço só piora. Se aumentarem ainda mais esses impostos, como ficariam as finanças de quem trabalha?”, indaga o morador de Santa Maria.

Na cidade de Silva, nenhuma obra significativa foi conduzida este ano, segundo o próprio, e ele duvida que elas aconteçam em caso de aumento  dos tributos. “É difícil. Eu não vejo muita coisa sendo feita por lá há muito tempo. Não sei se dá para confiar”, diz o pedreiro.

Saiba mais

Este ano, a Câmara Legislativa do DF  rejeitou pelo menos cinco propostas de reajuste de impostos enviadas pelo Buriti. Entre eles o IPTU e o IPVA, que passariam a ser cobrados também de carros zero.

Com o objetivo de aumentar a arrecadação em cerca de meio bilhão, porém, o aumento do IPVA sobre carros e motos e do ICMS sobre combustíveis foi aprovado. Eles devem começar a valer a partir de 2016.

Atualização inesperada

O economista César Bergo alerta para o aumento indireto de impostos quando não há criação de tributo ou algo do tipo, mas apenas atualização das tarifas cobradas “da noite para o dia”. “Muitas vezes, elas nem saem no jornal, mas afetam diretamente o consumidor”, revela. 

“Outra coisa é aumentar preços de imóveis e automóveis, em vez de fazer isso na alíquota do imposto. Consequentemente, o valor da arrecadação vai aumentar”, aponta.

Para ele, a carga tributária alta afeta a economia na medida em que obriga as pessoas a priorizar  alguns gastos e deixar de injetar dinheiro no comércio. Bergo acredita, porém, na inabilidade da atual gestão como as justificativas para tentar os aumentos e controlar a crise. 

“Esse governo herdou um rombo e não tem criatividade para sair do buraco, só tem afundado mais. Não está sabendo gerir a herança maldita e está mantendo ou piorando a situação”, conclui.

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