O senador Izalci Lucas (PL-DF) oficializou, nesta quinta-feira (22), sua assinatura no pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antônio Dias Toffoli. A iniciativa, protocolada originalmente pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) com o apoio da bancada de oposição, baseia-se em denúncias de graves irregularidades que ligariam o magistrado a interesses do Banco Master.
“Ele tem envolvimento direto”, afirmou Izalci, ao justificar seu apoio à destituição do ministro. Segundo o parlamentar, a atuação de Toffoli no caso é marcada por um alinhamento nítido com os investigados e pela adoção de medidas que fogem à normalidade jurídica.
Manobras processuais
Entre os principais argumentos do documento, destacam-se decisões de Toffoli que retiraram a investigação da primeira instância para centralizá-la em seu próprio gabinete no STF. O senador critica duramente a realização de uma acareação — procedimento de confronto de versões — ocorrida durante o recesso forense entre um diretor do Banco Central e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Para Izalci, tais atos representam um “atropelo” aos ritos processuais e geram um ambiente de profunda insegurança jurídica no país.
Conflito de interesses
O pedido de impeachment também traz à tona suspeitas de conflito de interesses. Informações recentes indicam a existência de transações imobiliárias envolvendo familiares de Toffoli e sócios do Banco Master, incluindo a venda de participações em um resort para parentes de Daniel Vorcaro.
Outro ponto de forte atrito mencionado pelo senador foi a gestão das provas colhidas pela Polícia Federal (PF). Toffoli chegou a ordenar que as evidências fossem mantidas sob sua custódia pessoal, recuando da decisão apenas após a repercussão negativa.
“Não permitiu a Polícia Federal investigar, depois voltou atrás e indicou quatro peritos. Isso não é papel do STF. Realmente, é inadmissível. Estou indignado com isso”, relatou o senador brasiliense.
Pressão no Senado
Além de buscar a saída de Toffoli, Izalci Lucas está mobilizando seus pares para pressionar a Mesa Diretora do Senado a dar andamento aos processos de impeachment paralisados. O parlamentar defende, ainda, a urgência de propostas que limitem as decisões monocráticas e estabeleçam mandatos fixos para ministros da Suprema Corte.
“Não tem saída. É impeachment já”, concluiu o senador, sinalizando que a oposição deve intensificar a cobrança sobre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, nos próximos dias.