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Brasília

Ipês da 705 Sul colorem a quadra e viram atração principal

Arquivo Geral

15/08/2014 19h00

Famosa pelo céu anil e límpido, Brasília é embelezada pela natureza do cerrado que colore a capital durante o inverno. Apesar das dificuldades da seca, típicas do mês de agosto, a cidade é enfeitada pelas cores branca, roxa, rosa e amarela, capazes de dar alegria e orgulho a todo brasiliense. O ipê, típica árvore do cerrado, inspira os moradores e torna-se a principal atração deste período.

Espalhados por toda a cidade, os ipês que ganham mais destaque são os da 705/704 Sul. A rua rosa e amarela está acima da W3, o antigo coração de Brasília. Trazendo o cheiro de recordação em cada pétala colorida, a marca principal da capital chama atenção dos brasilienses. É possível ver carros parados ao longo da rua, próximos às árvores. Seus condutores param para registrar o curto período florido de cada uma.

Um desfile de rosa e amarelo preenche a quadra. Ipês de cores diferentes foram plantados em sequência, formando um paredão de cores. Além disso, por serem antigos, têm um porte alto. Por esses fatores, a quadra se torna uma das mais visitadas durante essa época. Essa beleza destacada dura poucas semanas, porém é capaz de se transformar em eternas recordações.

Orgulho aos moradores

Florpérola Luz Fernandes, nascida na capital do maranhão, São Luiz, mora há 42 anos na 705 Sul. Ela diz se sentir orgulhosa por morar em um dos lugares mais bonitos de Brasília. Com 81 anos, a pintora e costureira afirma que sua inspiração vem, também, dos ipês ao lado de casa. Da janela do ateliê é possível avistar o rosa da típica árvore. É dali que Florpérola aprecia os ipês no fim das tardes ensolaradas de inverno brasiliense. Segundo ela, esse momento funciona como uma espécie de ‘higiene mental’.

A costureira afirma que, mesmo com as dificuldades enfrentadas por conta das calçadas, ainda anda entre os ipês todos os dias e se sente cada vez mais apaixonada pela cidade. “Eu amo Brasília mais que minha cidade natal. Esse verde ao lado de casa me proporciona uma vida diferente de qualquer outro lugar”, completa.

Por questões relacionadas à saúde e estrutura familiar, a pintora terá que se mudar em breve. Apesar da casa arquitetada por ela, do jardim que ela mesmo cuida e do ateliê recém reformado, ela afirma que sentirá mais falta da vista das árvores coloridas. “Por cima do meu terraço eu vejo um pedacinho dele. Toda vez que venho molhar minhas plantas eu fico observando aquele rosa”, diz ela, pensativa.

Atração principal

Quem anda pela rua já está acostumado com os carros dos brasilienses que param sua rotina para registrar aquelas árvores. Artemis Coelho largou o carro aberto com seu cachorro latindo para tentar um registro no seu simples celular. Nascida em Manaus e recém moradora de Brasília, ela conta que, todo ano, vai até a 705 Sul para fotografar as mesmas árvores. “Elas representam a manifestação real do divino. Ao olhar para essa árvore, eu tenho certeza de que a vida ainda é bela”, completa a filósofa, enquanto tenta fazer uma boa foto.

Não somente os moradores da Asa Sul procuram o famoso ipê atrás de um registro. A moradora de Brazlândia, Denise Rodrigues, 23 anos, estudante, afirma nunca ter ido aquela área. Ela diz que ao passar em uma quadra próxima, viu a cor amarela e rosa se destacando e não resistiu. Denise foi andando pela desconhecida região apenas para ver o ipê que prendeu sua atenção. “Essas árvores são muito bonitas, eu nunca tinha visto algo parecido”, diz a estudante.

Denise conta que se emocionou com as cores que a fizeram lembrar de sua infância. “Quando eu era criança, minha professora contava uma lenda do ipê amarelo e eu nunca tinha visto um. É a primeira vez que eu encontro o meu ipê”, diz ela, deslumbrada. A estudante confessa que ter encontrado aquela árvore no meio da cidade fez a diferença e mudou completamente o seu dia.  

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