Menu
Brasília

Invasões envolvem ricos e pobres no DF

Arquivo Geral

29/08/2012 7h03

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

 

O  Distrito Federal é marcado pela ocupação irregular de terra desde que a capital federal foi construída. Desde então, não existe um perfil definido de invasores, nem uma área específica de grilagem. Pobres ou  ricos,  a maior semelhança é que ocupam uma área que não foi destinada a eles. É o que mostra hoje a segunda reportagem da série do Jornal de Brasília sobre a grilagem de terras. As matérias são publicadas sempre às quartas-feiras.

 

A Secretaria de Habitação  (Sedhab) confirma que não existem características definidas desse morador. Segundo o secretário Geraldo Magela, a ocupação irregular se acentuou a partir da adoção de políticas públicas de entregas de lotes sem documentos e da conivência do governo com a grilagem, principalmente na década de 1980. Ele acredita que a ocupação foi patrocinada pela alta sociedade.

 

“Muita gente da classe média embarcou nessa ideia, comprando lotes nessas áreas. E depois chegou à classe baixa, em áreas como Estrutural, Sol Nascente e Itapoã, que agiram pela necessidade, pois não tinham como pagar um aluguel e nem condição de participar de programas habitacionais, que por anos não foram oferecidos de forma séria. É possível identificar no tempo essa diferença social”, observa.

 

 

 

Para a presidente da União dos Condomínios Horizontais e Associações de Moradores no DF (Única-DF), Junia Bittencourt, é possível traçar dois perfis desse morador: um que procurou a área sem regularização por necessidade de moradia, e o outro,   que buscou qualidade de vida, mas também não podia pagar caro por isso. “O DF tem uma demanda muito grande por moradia. O Itapoã e Sol Nascente, por exemplo, cresceram por incentivo do governo. Já a classe  alta foi por  expectativa de regularização, mas que com o tempo foi visto que a situação era mais complicada do que se imaginava”, diz.

 

Para ela, morar em condomínio à espera de regularização é  atrativo, pois além de dar maior sensação de segurança, os preços são bons. “Você paga mais de R$ 1 milhão em um apartamento de cem metros quadrados no Sudoeste, e por muito menos, consegue uma casa grande em condomínio. Não incentivamos o informal, mas o problema é que grande parte do DF não tem documentação”, diz.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado