Kamila Farias
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O Distrito Federal é marcado pela ocupação irregular de terra desde que a capital federal foi construída. Desde então, não existe um perfil definido de invasores, nem uma área específica de grilagem. Pobres ou ricos, a maior semelhança é que ocupam uma área que não foi destinada a eles. É o que mostra hoje a segunda reportagem da série do Jornal de Brasília sobre a grilagem de terras. As matérias são publicadas sempre às quartas-feiras.
A Secretaria de Habitação (Sedhab) confirma que não existem características definidas desse morador. Segundo o secretário Geraldo Magela, a ocupação irregular se acentuou a partir da adoção de políticas públicas de entregas de lotes sem documentos e da conivência do governo com a grilagem, principalmente na década de 1980. Ele acredita que a ocupação foi patrocinada pela alta sociedade.
“Muita gente da classe média embarcou nessa ideia, comprando lotes nessas áreas. E depois chegou à classe baixa, em áreas como Estrutural, Sol Nascente e Itapoã, que agiram pela necessidade, pois não tinham como pagar um aluguel e nem condição de participar de programas habitacionais, que por anos não foram oferecidos de forma séria. É possível identificar no tempo essa diferença social”, observa.
Para a presidente da União dos Condomínios Horizontais e Associações de Moradores no DF (Única-DF), Junia Bittencourt, é possível traçar dois perfis desse morador: um que procurou a área sem regularização por necessidade de moradia, e o outro, que buscou qualidade de vida, mas também não podia pagar caro por isso. “O DF tem uma demanda muito grande por moradia. O Itapoã e Sol Nascente, por exemplo, cresceram por incentivo do governo. Já a classe alta foi por expectativa de regularização, mas que com o tempo foi visto que a situação era mais complicada do que se imaginava”, diz.
Para ela, morar em condomínio à espera de regularização é atrativo, pois além de dar maior sensação de segurança, os preços são bons. “Você paga mais de R$ 1 milhão em um apartamento de cem metros quadrados no Sudoeste, e por muito menos, consegue uma casa grande em condomínio. Não incentivamos o informal, mas o problema é que grande parte do DF não tem documentação”, diz.