Ana Clara Arantes
anaclara.arantes@grupojbr.com
A procura por intercâmbio entre os moradores de Brasília é mista: os interessados são desde de jovens de 15 a 18 anos a adultos a partir dos 30 anos. Quem compartilha desse sonho pode estudar as opções na Eduexpo, uma das maiores feiras do mundo, e que estará em Brasília nesta quarta-feira, com entrada gratuita. O retorno do evento ao Brasil comprova a alta demanda. Para esta edição, a organização espera um crescimento de público de até 25%.
Serão apresentados cursos de idiomas, high school, graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado e cursos técnicos. Serão realizados sete eventos, entre palestras e seminários. Diretores de universidades, escolas de idiomas, agências de intercâmbio e agências governamentais de todos os continentes apresentarão seus programas de estudos para quem busca dados sobre conteúdo, destinos, bolsas e mercado de trabalho.
Uma das empresas a participar será a World Study. O gerente Denis Lacerda conta que a maior procura é pelo curso de idiomas, que tem duração mínima de uma semana, mas pode chegar a um ano.
Já os destinos mais visados têm sido Canadá, Malta e África do Sul. Para estas localidades, um curso padrão de um mês, com hospedagem em casa de família e um quarto individual com café da manhã e jantar, custa em média R$ 7 mil.
Experiência única
O intercâmbio auxilia no aprendizado de línguas, em experiência acadêmica, empregos e na interação cultural. Para Luana Pontes Días, 24 anos, foram os melhores momentos de sua vida. A estudante de jornalismo estudou por seis meses em Portugal, em 2017. A ideia de intercambiar a atraiu por ser, além de uma experiência acadêmica, seria algo que a enriqueceria culturalmente.
“Participei do termo de cooperação entre a Universidade Católica de Brasília (UCB) e a Universidade do Porto. O parâmetro para bolsa eram as notas . A oportunidade de estudar na Europa me deixou entusiasmada. Minha mãe me apoiou financeiramente, mas resolvi trabalhar por lá para que pudesse fazer um mochilão. Com esse dinheiro conheci dez países”, relembra.
Mesmo com a crise financeira, ela diz que faria tudo de novo: “Sofri bastante com a variação do câmbio. Infelizmente as mudanças na economia são rotineiras, e se nós esperarmos a constante para realizar um sonho, acabamos por não fazer”, pondera.
Autoconhecimento e vivência
Paula Lacerda, 31, se programou financeiramente durante um ano para realizar sua viagem. Ela passará mês no Canadá, destino mais procurado pelos brasileiros há 13 anos. Para ela, é possível viajar mesmo com a crise que o País enfrenta. “Há programas voltados para trabalhar. Acredito que a oportunidade seja para todos, desde que procurem conhecer o que é oferecido pelas agências”, indica.
Paula relata que esse sempre foi um sonho: “É para me desafiar, conhecer novos lugares e pessoas. Estou indo para autoconhecimento e para aprender nova língua, ganhar vivência”. A administradora vai passar três semanas fazendo um curso e a última semana viajando.
O Brasil está no ranking dos oito países com maior índice de interesse por intercâmbio. De acordo com feira Eduexpo, 40 mil brasileiros iniciaram cursos superiores em outro país. Esse fator mostra que a crise econômica não atrapalha na busca. Ao contrário: influencia na aposta pelo investimento .
Os gastos médios dos brasileiros com intercâmbio vêm aumentando. Segundo a Associação Brasileira Especializada em Educação Internacional, Belta, em 2016, ano em que se iniciou a crise econômica no Brasil, 247 mil alunos participaram de programas de intercâmbio, 14% a mais do que 2015. O investimento cresceu 82%, para cerca de 9 mil dólares ou quase R$ 30 mil.
Serviço
Eduexpo
A feira ocorrerá nesta quarta-feira, no Centro de Convenções Brasil 21, das 16h às 21h.
Para quem quiser participar do evento , basta se inscrever no site www.eduexpos.com/brasil2018 e gerar a credencial para a entrada.
Também é possível baixar o aplicativo da Eduexpo no celular e conectar-se com as instituições antes, durante e depois da feira.