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Brasília

Iniciativa que faz a diferença

Arquivo Geral

25/04/2013 11h37

Uma reclamação e uma lição. É o que trouxe o jovem Leandro Montes, de 14 anos, estudante do sétimo ano do ensino fundamental, à redação do Jornal de Brasília na última sexta-feira (19).

 

O jovem morador de Santa Maria, irmão de outros três rapazes e duas moças, cansado de não ver as melhorias na sua região, resolveu reclamar da falta de transporte na área. Sua queixa é que a linha de ônibus 271.3, que atende as cidades-satélites de Santa Maria e Gama, não estaria passando no local correto.

 

Tal fato foi constatada nesta quarta-feira (24). “Os ônibus só passam de manhã, com dois coletivos indo, e de noite, com esses ônibus voltando. Nesse meio tempo, não passa mais nada”, explicou o eletricista aposentado Manuel da Silva, de 58 anos.

 

“Eles deveriam passar na parada correta, mas como o local não tem uma iluminação muito boa e aqui é uma região com muitos assaltos, eles passam do outro lado. A gente que é idoso tem dificuldade e não consegue alcançar”, contou a aposentada Helena Matilde, de 77 anos.

 

Segundo os moradores, já foram feitos vários abaixo-assinados para pedir a regularização da linha, bem como uma atenção maior em outras áreas, como segurança e educação.

 

A assessoria de comunicação do DFTrans informou que enviará a fiscalização para monitorar a situação. “Como não houve, por parte da empresa operadora, solicitação de mudança de itinerário para essa linha, a demanda será encaminhada à Gerência de Fiscalização para as providências devidas”, informou a assessoria.

 

O órgão também solicitou aos moradores que façam as denúncias pelo telefone 162 ou pelo site www.dftrans.df.gov.br.

 

Iniciativa

Mas o que chamou a atenção foi o fato de um garoto de apenas 14 anos tomar a iniciativa de tentar melhorar a vida das pessoas. “É o orgulho da família”, diz a irmã Bianca Steffany, de 22 anos. “Ele conversa muito comigo sobre isso e não aceita que façam as coisas erradas”, completa.

 

Questionado sobre o futuro, Leandro vai direto ao assunto: “Eu quero ser jornalista. Gosto desse tipo de coisa, de levar a verdade”, ressalta. No entanto, é uma preocupação para a mãe. “O único medo dela é de o Leandro sofra algum tipo de retaliação, mas ela entende e se orgulha disso”, diz a irmã.

 

A opinião é reforçada pelos moradores da região. “Isso [de procurar resolver as coisas] é muito bom. Ele só quer trazer a verdade e nos ajudar”, falou Manuel. “Hoje é uma criança e amanhã será um cidadão”, finaliza Helena.

 

A “arma” que Leandro usa para realizar as denúncias é o telefone. Ele já ligou para várias emissoras de rádio, bem como diversos órgãos e sempre tenta informar os problemas da cidade. “Esse mesmo problema de ônibus já foi retratado na rádio e eles falam a mesma coisa. Então, eu gravo tudo pra mostrar que pelo menos, eu tentei”, afirma o jovem.

 

Para a educadora Karla Carrara, a atitude de Leandro é comumente mal-interpretada pela maioria dos pais. “Muitos deles vêem essa atitude como rebeldia. É nesse momento que os adolescentes têm essa prontidão e pensam que podem fazer a diferença. Até os quatro anos de idade, tudo que a gente pede é ouvido e atendido pelos pais. Quando chega na adolescência, depois do crescimento hormonal, esse ‘desejo’ volta e o jovem pensa que o governo agirá da mesma forma”, explicou.

 

No entanto, uma série de negativas pode frustrar a vida do adolescente. “Dependendo do jeito que ele lidar com a frustração, já que nada foi feito para atender as reivindicações, ele pode se frustrar. Ou então, o próprio adolescente pode procurar uma organização não-governamental para que alguém o ouça e possa tentar ajudá-lo. Ele não se pune porque não conseguiu, mas não se preocupa com o resultado. Apenas entende que fez sua parte”, ressaltou a educadora.

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