Por José Eduardo Brasil, André Delattre e João Delattre
Uma comunidade de indígenas venezuelanos (da etnia Warao Coromoto), que ocupa uma área no distrito rural do Café Sem Troco, tem sido surpreendida pela circulação de pelo menos 75 cachorros abandonados.
As pessoas têm tentado cuidar dos animais, mas a situação deixa a comunidade ainda mais vulnerabilizada e em risco de problemas de saúde, como a possibilidade de contaminação por leishmaniose.
A equipe da Agência Ceub esteve na região e pôde presenciar a gravidade da situação, também no que se refere aos riscos de saúde pública, tanto para as pessoas como para os animais.
Segundo eles, pessoas em carros abandonam os animais na comunidade, como em uma situação de “descarte”. Os indígenas lamentam que não conseguem ajudar os cães e estão preocupados com doenças.
O cacique Constantino Rojas Sapato afirma que as pessoas de sua comunidade moram há 4 anos nessa aldeia, construída em uma chácara alugada com promessa de compra. Um empresário, que prefere não se identificar, teria comprado o terreno para os indígenas se estabelecerem na região.
O administrador da comunidade, Gilberto Portes de Oliveira, afirma que a comunidade tem pedido apoio para sobreviver na região.
Cachorros
A preocupação com a situação da comunidade e dos animais faz todo sentido, segundo a veterinária Fabiana Volksweis. Ela é também professora do Centro Universitário de Brasília e tem buscado, em um projeto universitário, avaliar as possibilidades de controle populacional, além da melhora da condição clínica desses cães.
Uma das maiores preocupações dos profissionais veterinários é com a possibilidade de contaminação por leishmaniose, uma doença transmitida pela picada do mosquito-palha, mas que pode ser conduzida também por animais infectados. Nos casos mais graves, quando não tratada, a leishmaniose pode até ser fatal, tanto para os cachorros quanto para os humanos.
No processo de pesquisa e apoio, ela explica que o grupo estuda as relações entre a comunidade, os animais e o meio ambiente. “A ação de campo objetiva realizar o exame físico dos cães, catalogar os animais do local e fazer coletas hematológicas”, afirmou.
O trabalho envolveu entrevistas para entender a dinâmica entre animais e meio ambiente, por intermédio das informações coletadas dos moradores, alpem de identificação para catalogar os cães com imagens e plaquinhas. Os profissionais e estudantes também fizeram exames com pesagem e a vermifugação deles.

Além dos cuidados veterinários, o grupo procura conscientizar e ensinar a comunidade sobre cuidados próprios com os animais. “Queremos identificar todas as fragilidades do local para trabalhar com eles na educação em saúde”, disse a professora. Segundo o que ela avalia, a comunidade mostrou-se desinformadas sobre eventuais riscos.
Desafios comunitários
Os indígenas contaram que a trajetória deles no Distrito Federal tem sido marcada por desafios e períodos de instabilidade. Eles já foram sem-teto no Guará e atualmente se sentem ameaçados de despejo, na região do Café sem Troco, área rural no Paranoá.
A situação de mendicância foi alterada ao receber apoio de representantes do governo local e da e entidade internacional ACNUR pata que todas as crianças e jovens fossem matriculados em escola pública para aprender a língua portuguesa. A Escola Classe Café Sem Troco adaptou a estrutura e contrata professora bilíngue. Neste ano, porém, os indígenas temem não conseguir o pagamento de energia e aluguel.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira