Menu
Brasília

Imagens de drone ajudam a combater mosquito da dengue no Torre Palace

Arquivo Geral

01/02/2018 21h14

Teto do edifício, no Setor Hoteleiro Norte, virou criadouro do mosquito que transmite doenças como dengue e zika. Foto: Mike Sena

Ana Clara Arantes
anaclara.arantes@grupojbr.com

O polêmico hotel Torre Palace, desativado desde 2013 e palco de invasões, é cenário agora de foco do mosquito Aedes aegypti, causador da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Com 14 andares e 140 apartamentos, o hotel era constantemente invadido por andarilhos e movimentos sociais que buscavam moradia, até a ação de 2016, em que policiais militares entraram e desocuparam o local.

O problema no local é a água da chuva acumulada na parte superior do prédio. Como a estrutura da cobertura foi derrubada, são formadas poças que se tornam focos do Aedes aegypti.

Nesta quinta-feira (1º), foi realizada uma ação de combate ao mosquito com o uso de drone. O trabalho consistiu na inspeção da área e contou com a Direção de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival), Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar, Defesa Civil e Administração Regional do Plano Piloto. De acordo com o major Júnior César, da Defesa Civil, a operação tinha o intuito de verificar a situação no que pudesse desrespeitar a Vigilância Sanitária.

No que diz respeito à Defesa Civil, o major pondera: “Vamos avaliar as fotos tiradas do drone que o Corpo de Bombeiros irá nos ceder e vamos observar se houve alguma alteração na parte estrutural do prédio desde a desocupação. Observamos que a cobertura foi retirada, o que era uma preocupação no sentido das partes voarem e despencarem, mas não resta mais nada que possa ser projetado. Depois da avaliação das fotos, vamos passar um relatório para a vigilância, em uma operação conjunta ao Governo do Distrito Federal (GDF), para que possamos verificar os riscos estruturais. Cada área irá verificar a situação”.

Vizinho em risco

A denúncia sobre os focos do mosquito foram feitas pelo gerente do hotel Nobile Suítes Monumental, Danilo Stacciarini. “Mandei um ofício para a Vigilância Ambiental, Secretaria de Saúde e Defesa Civil em dezembro de 2017”. Ele relata que no final de 2016 e início do ano passado, cerca de 10 funcionários foram diagnosticados com dengue e, preocupado com o foco que pode ser visto do hotel que comanda, decidiu agir.

Denúncias motivaram ação conjunta

O diretor de Vigilância Ambiental em Saúde, Denilson Magalhães, explica que já receberam várias denúncias sobre o fato do Torre Palace ser cenário de foco do Aedes aegypti e de infestação de roedores, por este motivo organizaram a inspeção. “O prédio já é um ponto estratégico da Vigilância Ambiental em Saúde e a cada 15 dias a equipe faz inspeção para verificar foco de Aedes no prédio. Hoje, com ação conjunta, temos o objetivo de elaborar um relatório da situação do local e de encaminhar ao governo as medidas a serem adotadas”.

Pelo drone, foi possível identificar água acumulada na parte superior do hotel, dentro de pneus e caixa d’agua. A equipe do Jornal de Brasília conseguiu verificar ainda que há uma passagem aberta no prédio, por onde é possível invasores adentrarem o local. Além disso, há colchões e cadeiras ao longo dos antigos quartos do lugar. Não foi encontrado ninguém fazendo uso das antigas dependências, mas isso não descarta a possibilidade. Após a inspeção de hoje, os órgãos responsáveis voltarão para uma nova ação que visará solucionar os problemas identificados.

Saiba mais

Em janeiro de 2017, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) registrou 403 casos de dengue no Distrito Federal (DF). Já até o fim de janeiro deste ano, 186 casos foram notificados. Apesar do índice ainda ser alto, representa uma queda de 53.8%.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado