Com a equipe de oftalmologistas reestruturada, sickness o Hospital Universitário de Brasília (HUB) voltou a realizar transplantes de córnea neste mês de julho. A autorização para o procedimento havia sido expedida pelo Ministério da Saúde no dia 24 de junho. Desde essa data, o HUB está apto a realizar até três transplantes por dia e pode também fazer a captação das córneas. A estimativa é de que sejam captadas de 12 a 14 por mês, podendo ultrapassar 150 por ano.
No Distrito Federal, a lista de espera para receber uma córnea é de aproximadamente mil pessoas. Para Rômulo Maroccolo, chefe dos transplantes no HUB, essa lista não deveria existir. “A captação da córnea é muito fácil, pode ser retirada até 8h depois do óbito e dura, em média, 15 dias”, afirma. Para a retirada das córneas não é necessário ambiente hospitalar. Elas podem ser extraídas no necrotério ou mesmo na casa do doador. A retirada não causa nenhum efeito estético indesejável ao doador.
Segundo Maroccolo, o brasileiro é muito benevolente e cerca de 70% das famílias autorizam a doação de órgãos. O grande problema para os transplantes no Brasil é que muitos médicos não comunicam as Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDOs). “A notificação é obrigatória, mas muitos não têm essa consciência e deixam de fazer.”
Após o diagnóstico da morte encefálica, o médico deve telefonar para a Central de Captação do seu estado e informar nome, idade, causa da morte e hospital onde o paciente está internado. A partir dessas informações, a Central envia uma equipe para conversar com a família e tentar transformar o possível doador em doador efetivo. Se a notificação não é feita, a central não tem como tentar captar os órgãos e as listas de espera aumentam.
Para Maroccolo, a reativação dos transplantes de córnea no Hospital Universitário é importante para que essa situação mude. “Aqui, os estudantes de medicina vão ver como é importante notificar os possíveis doadores, e vão aprender a fazer isso”, afirma.