A organização Human Rights Watch (HRW) assegurou hoje que os Jogos Olímpicos de Pequim, que terão sua cerimônia de abertura na próxima sexta-feira, já estão “manchados” devido “ao aumento das violações dos direitos humanos” cometidas pela China durante a preparação do evento.
“A etapa prévia aos Jogos de Pequim foi manchada por um aumento brusco muito bem documentado das violações do direito à liberdade de expressão e associação, assim como da liberdade de imprensa”, afirmou a organização em comunicado.
A isso se unem os abusos de que foram vítimas os operários responsáveis pela construção das instalações olímpicas e os proprietários de imóveis desapropriados para que terrenos fossem cedidos às estruturas dos Jogos, completou a HRW.
“Esses abusos refletem descumprimento total do compromisso assumido pelo Governo chinês em matéria de direitos humanos para os Jogos Olímpicos, assim como a negligência do Comitê Olímpico Internacional (COI) em sua responsabilidade de fiscalizar a China”, acrescentou.
A diretora de promoção dos direitos humanos para a Ásia da HRW, Sophie Richardson, lembrou que o Governo chinês e o COI tiveram sete anos para tornar realidade a promessa de que os Jogos de Pequim serviriam para fortalecer os direitos humanos no país.
Em vez disso, comentou Sophie, na China o que se viu foi uma redução dos direitos básicos protegidos pela própria Constituição local e o direito internacional.
A HRW, com sede em Nova York, citou como exemplo a tentativa das autoridades de silenciar, mediante intimidação e prisão, os protestos dos cidadãos atingidos pela construção da infra-estrutura olímpica.
A organização pró-direitos humanos também denuncia o assédio a que são submetidos os jornalistas estrangeiros, como na hora de obter autorização para viajar ao Tibete, apesar das promessas chinesas de uma cobertura aberta dos Jogos Olímpicos.
A HRW mencionou no comunicado casos de advogados e ativistas contra os quais foram adotadas represálias nos últimos meses pela defesa dos direitos de cidadãos vítimas de abusos.
Sophie considerou que somente a libertação dos detidos e o fim da política chinesa de intimidação de vozes dissidentes podem salvar “a integridade” dos Jogos de Pequim.