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Brasília

Homofobia nas escolas e mobilidade urbana estão entre os temas da Mostra Brasília

Arquivo Geral

16/09/2015 17h47

Em 2004, quando estava no Cine Brasília, o cineasta Otavio Chamorro brincou com os amigos dizendo que um dia seria anunciado no palco com a frase: de Otavio Chamorro, Vagabunda de Meia Tigela. “Aquilo ficou na minha cabeça; 11 anos e outros filmes depois, estamos prontos para a estreia”, anima-se o diretor, que lança o curta-metragem na Mostra Brasília no domingo (20). Dedicada a cineastas locais, as sessões são gratuitas e vão de 17 a 21 de setembro, das 17 às 19 horas, no Cine Brasília (106/107 Sul).

Uma entre as 18 obras originalmente brasilienses que concorrem a R$ 200 mil em prêmios e ao 20º Troféu Câmara Legislativa, a produção conta a história de Jonas João, um adolescente apaixonado pelo colega de sala e vítima das piadas de sua inimiga. “A ideia é unirmos a questão da violência simbólica que existe nas escolas e a comédia como ferramenta para debater um tema tão delicado como a homofobia”, explica Chamorro sobre o tabu social que aborda na película.

Financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura, o curta foi produzido de 2014 a 2015. O roteiro foi trabalhado 21 vezes para um ano de pré-produção, seis dias de filmagem e quatro meses de pós-produção. O filme conta com elenco jovem, formado por atores de 15 a 20 anos, além de 300 figurantes, a maioria de escolas públicas do Distrito Federal.

Roteirista de ficção e vídeos institucionais, militante LGBT e especialista em classificação indicativa, esta será a quarta participação de Chamorro no festival. Em 2008, ele venceu como melhor roteiro na Mostra Brasília com As Fugitivas; em 2009, participou da 43ª mostra competitiva com Do Andar de Baixo e, em 2012, venceu nas categorias melhor atriz e melhor direção de arte com A Caroneira, também exibido na Mostra Brasília.

Abertura 

Quando passeava de bicicleta entre o polo de vendas Cidade do Automóvel e a Estrutural, o cineasta Tiago Rocha teve uma ideia. Ele já fazia parte do projeto Viva a Bicicleta, que discute a mobilidade urbana com crianças e adolescentes, e percebeu o contraste gritante entre a cidade das bicicletas e a dos carros. Daí, surgiu o curta-metragem Setor Complementar, que abre a Mostra Brasília nesta quinta-feira (17).

Em 2013, a equipe conseguiu produzir o filme com recursos do Fundo de Apoio à Cultura. “Buscamos fazer um retrato de um dia dentro desse setor a partir de histórias de crianças de lá e com uma dose de fantasia”, explica o diretor. O filme também busca quebrar os estereótipos construídos pela mídia sobre a Estrutural. “A cidade é complexa, marcada pela luta a favor da moradia e contra o descaso e a violência de sucessivos governos”, define. “Ao mesmo tempo, é a cidade que tem um dos maiores índices de bicicletas por domicílio do DF”, destaca Rocha.

É a primeira vez que o cineasta participa da Mostra Brasília. O filme, por sua vez, já estreou na Estrutural, exibido no projeto Coletivo da Cidade, que atende crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

Para Rocha, o curta tem o objetivo de trazer à tona a discussão sobre a mobilidade urbana no DF. “Apenas quando desconstruirmos a ideia de que o carro é o transporte do futuro, que vem desde o governo Juscelino Kubitschek, teremos uma cidade feita para as pessoas”, opina o diretor, defensor da tarifa zero no transporte público. “Levando-se em conta as medidas anunciadas pelo governo, nossa expectativa é de lutar até o último momento contra aumentos”, reivindica.

Também integram a programação do primeiro dia da Mostra Brasília os curtas-metragens Como se Voasse para Casa, de Wesley Gondim, que traz às telonas uma história de aceitação, amor e fantasia por meio da perspectiva de uma criança; e o longa-metragem Alma Palavra Alma, dos diretores Delvair Montagner e Armando Bulcão. O documentário retrata a situação da terra indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul. A reserva acumula um dos maiores índices de suicídio do mundo e as mais altas taxas de homicídio no País: apenas 7,8 % da população chega aos 50 anos.

Mostra competitiva

O segundo dia de mostra competitiva começa com o curta paranaense Tarântula, de Aly Muritiba e Marja Calafange, que apresenta uma família religiosa abalada por uma aparição. O média-metragem mineiro Rapsódia para o Homem Negro, de Gabriel Martins, conta a história de um negro por meio de alegorias e simbolismos que contextualizam a política racial e social no Brasil.

Fecha a programação diária o longa-mentragem paulista Fome, do diretor gaúcho Cristiano Burlan. A película fala sobre um homem que abandona o passado depois de ter visto a morte.

As três produções da mostra competitiva serão reprisadas na quinta-feira (17), às 14 horas, na Sala 4 do Cine Cultura Liberty Mall (Setor Comercial Norte, Quadra 2, Bloco D).

Paralelas

As duas mostras paralelas não competitivas desta edição também serão inauguradas nesta quinta-feira (17), nas Sala 4 do Cine Cultura Liberty Mall. Às 17 horas, será exibido o longa Mais do que Eu Possa Me Reconhecer, do fluminense Allan Ribeiro, que abre a Panorama Brasil.

A inédita Continente Compartilhado, que trará coproduções brasileiras com outros nove países, estreia com Bollywood Dream — O Sonho Bollywoodiano (2010), de Beatriz Seigner, feito por Brasil, Índia e Estados Unidos.

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