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Brasília

Homem que fazia funcionário refém em hotel se entrega

Arquivo Geral

29/09/2014 10h02

Jac Souza dos Santos, homem que fazia refém um senhor de 49 anos no Setor Hoteleiro Sul, se entregou à polícia próxima às 16h20 desta segunda-feira (29). Próximo das 16h, o homem e o refém apareceram na sacada do 13º andar do hotel e fizeram sinal de que o ato havia acabado.

O refém, mensageiro do hotel Saint Peter Brasilia que, desde cedo, estava com um colete com possíveis explosivos junto ao corpo, também apareceu e estava sem o colete. O homem está sendo levado para a 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte.

A polícia confirmou que os explosivos e a arma que Jac Souza usava eram falsos. 

O caso

Desde às 8h30 da manhã desta segunda-feira (29), Jac Souza dos Santos estava armado e mantinha o mensageiro do estabelecimento, de 60 anos, algemado e vestido com colete de explosivos  em seu corpo. Ele ameaçava explodir se não tiver as reinvidicações – segundo a Polícia, “pedidos desconexos sobre a política nacional” – atendidos até as 18h.

Próxima das 15h, o perímetro de segurança que era de 30 metros passou para 60 metros e todos os prédios ao redor do hotel foram esvaziados, entre esses, o prédio dos Correios. Segundo informações da polícia, o sequestrador estava irredutível e as negociações complicadas. O homem deixou três cartas de despedida em Tocantins, onde mora, para sua família pedindo desculpas por um ato que ele viria a cometer. 

Segundo informações da Polícia Militar, o homem também deixou uma caixa suspeita no hotel Olympus, no Setor de Industria e Abastecimento (SIA), que foi explodida pelo Esquadrão de Anti-bombas e continha carregadores, meias e objetos pessoais variados. A dona do estabelecimento foi quem fez a denúncia. Ele deixou o hotel por volta das 4h30 desta madrugada, em um táxi. Equipes do Esquadrão Anti-bombas identificaram um artefato dentro de uma caixa, no segundo andar do hotel.  

Em depoimento, o taxista que levou o homem ao aeroporto afirma que, às 4h30, ele ligou perguntando quanto ficaria a corrida. Ao pega-lo no SIA, ele estava com uma “caixa de presente, tamanho médio”. No caminho, o suspeito disse que era de Tocantins e que “estava revoltado com o atual governo”. Ao chegar no local, ele pagou para deixar a caixa no guarda-volumes do Aeroporto JK e pediu ao taxista para levá-lo de volta ao hotel. O Esquadrão Anti-bomba fez uma varredura do Aeroporto JK, mas nada foi encontrado. 

Negociação

Segundo a Polícia Civil, três negociadores conversaram com o susposto terrorista. Segundo os profissionais, o homem fez “pedidos desconexos sobre a política nacional”, como, por exemplo a extradição de Cesare Battisti, a queda da presidente Dilma Rousseff e a aplicação imediada da Lei da Ficha Limpa. A polícia afirma que o sequestrador deixou cartas de despedida para a família se desculpando pelos seus atos.

O refém apareceu na sacada por várias vezes, em algumas delas acompanhado do sequestrador e outras sozinho. Segundo a Polícia, existe 98% de chance de tratar-se de explosivos no colete que veste o mensageiro. Como prevenção de uma possível tragédia, a polícia alterou a área de segurança do local de 30 para 60 metros.

Com uma chave mestra, o suspeito se dirigiu ao 13º andar, onde entrou nos quartos e expulsou os hospedes, alegando estar praticando um ataque terrorista.

Segundo coordenador da Polícia Civil, Paulo Henrique Almeida, a corporação está investigando se o colete preso ao corpo do funcionário é composto, realmente, por explosivos. Ainda de acordo com o coordenador, o rapaz ameaça explodir todo o andar.

Neste momento, 20 policiais militares, 16 bombeiros e todo o efetivo do esquadrão antibombas – mais de 100 profissionais –estão no local. São 11 viaturas incluindo veículos do esquadrão especializado. O hotel foi completamente evacuado ainda nesta manhã.

Perfil

Jac Souza Santos tem 30 anos e foi candidato a vereador, em 2008, no Estado do Tocantins.  Veja a ficha dele no Tribunal Superior Eleitoral.

José Dirceu trabalhou no local

O hotel onde o crime é praticado foi palco de outra polêmica, pois seria o local do emprego que garantiria o regime semiaberto ao ex- ministro José Dirceu, condenado no mensalão. Apesar de o PT ser uma sigla que majoritariamente foi contra a extradição de Battisti e o hotel ter sido palco desse episódio com Dirceu, as autoridades não confirmam qualquer ligação entre a revolta do criminoso com o PT.

* Apuração: Luana Lopes, Jéssica Antunes e Ludmila Rocha

Leia mais informações na edição desta teça-feira (29) do Jornal de Brasília

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