Amanda Karolyne
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Sem demonstrar arrependimento, um jovem que teria ateado fogo em um idoso e abandonado o corpo em um matagal no Núcleo Rural Quintas do Vale Verde, Planaltina, foi preso pela Polícia Civil. A suspeita é de que ambos mantiveram um relacionamento por anos, mediante vantagens financeiras. Dias antes do assassinato, o suspeito teria gravado um vídeo para dizer que a vítima estava sendo ameaçada por terceiros, na tentativa de despistar as investigações.
Na manhã de terça-feira passada, a 16ª Delegacia de Polícia foi informada de que havia um corpo na área rural de Planaltina sem identificação. Dias depois, foi encontrado um veículo no Vale do Amanhecer, com indícios de que teria sido incendiado. A corporação descobriu que o carro pertencia a uma habitante de Goiânia, e ainda que havia uma ocorrência de desaparecimento na mesma cidade no dia 19 de novembro.
O carro estava em posse da vítima, José Maria Mundim, 69 anos, morador da capital goiana e procurado desde aquela data. “Nós identificamos o corpo e o veículo, e só restava saber o que aconteceu”, conta o delegado Edson Medina.
“Investigando familiares, veio a notícia de que a vítima poderia ter saído na companhia de um indivíduo que mantinha relacionamento homoafetivo com ele”, cita Medina. O suspeito é Badr Anwar Oliveira Nunes, 25 anos. “Ele não tinha antecedentes criminais, mas desapareceu”, completa.
O rapaz foi preso pela polícia na sexta-feira passada, ao tentar fugir para o Nordeste. Confessando o crime, ele contou que conheceu a vítima e a amizade evoluiu para uma relação homoafetiva com favores financeiros. Mas, segundo ele, as promessas feitas pela vítima não estavam sendo cumpridas.
No dia 19, o autor e a vítima foram até São Gabriel (GO) e na volta passaram em Planaltina de Goiás. “Ali, ele produziu um vídeo para dizer que o senhor estaria sendo vítima de ameaça. Badr estava criando um álibi caso a vítima morresse”, destaca Medina.
Depois de uma discussão, o autor foi para um local mais afastado e bateu na cabeça da vítima com um pedaço de pau. Em seguida, ateou fogo no corpo, ainda com vida. “Para acabar com o sofrimento da vítima, ele apagou o fogo e passou por cima dele com o carro”, detalha. Depois, no Vale do Amanhecer, ele ateou fogo no carro e fugiu.
De acordo com Medina, Badr demonstrava estar com ódio de José por não ter cumprido a promessa. Eles se conheciam há dez anos, e há oito começaram o relacionamento homoafetivo. “Ele estava carregado de mágoa pelo fato de ter se sentido enganado por ele”, comenta.
As investigações ainda não terminaram, e agora serão colhidas informações dos familiares da vítima. A prisão foi convertida em preventiva. O rapaz responderá por homicídio duplamente qualificado, com pena de 12 a 30 anos.