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Brasília

Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1985, o Museu Vivo da História Candanga completa 31 anos nesta segunda-feira (26)

O espaço de 184 mil m² abriga parte da história da capital e da trajetória de pioneiros em Brasília

Vítor Mendonça

26/04/2021 14h16

Museu Vivo da História Candanga

Museu Vivo da História Candanga. Foto: Vítor Mendonça / Jornal de Brasília

Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1985, o Museu Vivo da História Candanga completa 31 anos nesta segunda-feira (26). O espaço de 184 mil m² abriga parte da história da capital e da trajetória de pioneiros em Brasília. Antes de se tornar museu, o lugar foi construído em madeira como Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO) e atendia operários e a população local do Núcleo Bandeirante, a Cidade Livre, nos anos iniciais.

O serviço de atendimento médico, porém, foi finalizado em 1974, passando a ter apenas a função de um posto de saúde a partir desta data, mas também encerrando as atividades pouco depois. Apesar do título de patrimônio, o Museu só passou a ser um espaço de abrigo para a memória candanga em 1990, com exposições e peças sobre o início da capital. Foi neste ano em que foi inaugurada a principal exposição do local: “Poeira, Lona e Concreto”, que conta histórias da construção.

Também no local funciona o Veteran Car Club, ambiente destinado a carros antigos da época da construção de Brasília.

A gerente do museu, Eliane Falcão, entende que a presença do patrimônio na cidade é importante não só para a preservação da memória candanga, mas também para a promoção da tradição dos pioneiros e capacitação de pessoas atualmente. “Acho que do DF, talvez [o Museu Vivo da Memória Candanga] seja o único a céu aberto. O segundo seria o Catetinho, mas da pegada do museu de ter oficinas e uma infraestrutura de área verde, acho que só o Museu Vivo”, comentou.

“E nós temos essas oficinas do Saber Fazer que trabalham a arte cultural brasileira – cerâmica, costura criativa, gravura, tecelagem, pintura -, trazida com os pioneiros para cá. O Museu Vivo tem um apego muito grande, uma raiz muito forte com a cultura dos pioneiros, que eu acho que o brasiliense carrega”, afirmou a gerente, que dirige o espaço há dois anos.

Tempos difíceis

À época da construção, tudo era novo na cidade que estava para nascer. A novidade, porém, trouxe consigo as dificuldades de um pioneirismo no centro do país, com um clima seco e distante das cidades vizinhas. O desafio para vir à capital, portanto, não era um preço aprazível aos que vinham de outras regiões, principalmente dos médicos e cirurgiões que teriam de contar, muitas vezes, com a precariedade de materiais e recursos no HJKO para atender pacientes acidentados durante a construção.

“Havia muita resistência para vir à capital. A maioria dos médicos que vieram para cá eram amigos de JK, com uma ligação muito forte com ele. Muita gente não queria vir porque era muito difícil. Era um deserto, um cerrado. Tinha muita poeira. Não tinha nada – era só poeira, poeira, poeira, poeira. Então as pessoas ficavam muito assustadas e ninguém queria vir morar aqui”, explicou a gerente do museu. O primeiro médico a chegar em Brasília era amigo pessoal de JK, o doutor Edson Porto.

De acordo com Eliane, a atividade menos complexa em termos de procedimento médico invasivo na época eram os partos de novos nascidos, atividade que contava com a ajuda de parteiras experientes, tornando o trabalho mais diluído ou, quando em conjunto, menos complicado. As dificuldades surgiam, porém quando eram necessárias cirurgias de acidentados.

“Se tivesse uma cirurgia, era muito difícil porque eram poucos os médicos e tinham muitos casos em que as pessoas precisavam ir para fora – e um dos lugares mais próximos era Goiânia, então tinha que sair de carro, não tinha outro jeito”, contou Eliane. “A vida naquela época aqui era muito difícil. E os médicos [que trabalhavam] aqui [antigo HJKO] eram 24h – eles descansavam pouco porque toda hora chegava uma pessoa machucada. Era muito difícil mesmo.”

Avanços para o futuro

No aniversário de 31 anos do Museu Vivo da Memória Candanga, após períodos de baixa conservação, os planos futuros para o local envolvem maior incremento de tecnologia e novas estratégias de divulgação para que a história da capital, pela trajetória dos pioneiros, seja perpetuada nas novas gerações. A intenção também é trazer renovação para a infraestrutura do local.

“A ideia que temos é que a gente possa restaurar todas as casas da alameda. A princípio a gente está para restaurar como modelo a casa amarela – será uma casa padrão”, segundo Eliane. “Só atrasou por conta da pandemia, mas acredito que venha a ser restaurada em breve – talvez mesmo agora com a pandemia, porque já temos feito algumas coisas nela. Acho que, passando esse tempo, vai ser findado o processo de restaurar a amarela – e aí, posteriormente, será feito nas outras casas”, adiantou.

Atualmente, algumas escolas fazem passeios virtuais pelo Museu, com mediação da gerente, respondendo às perguntas feitas pelos alunos. “A gente tem que passar isso para as nossas crianças. Se não, daqui a pouco, os nossos bisnetos não conhecem mais a história de Brasília e aqui é a nossa capital”, opinou Eliane. Em tempos normais, segundo ela, era possível receber entre 250 e 300 estudantes por dia.

As exposições já podem ser visitadas pela internet por meio do site da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, mas novos projetos estão surgindo para abranger e receber não somente a população local, como também outros visitantes de outras partes do globo. “Nesse aniversário eu desejo uma tecnologia que seja capaz de chegar a níveis mundiais, porque eu recebo crianças até de outros países e estados aqui. Então precisamos de uma tecnologia de ponta”, espera a gerente.

O complexo inteiro conta com 15 casas com funcionamento de oficinas de artesanato e de exposições. Além da casa que abriga a mostra “Poeira, Lona e Concreto” [a principal], há também a exposição “Cerrado, pau de Pedro”, com obras de um artista que trabalha com esculturas em madeira com a temática do Cerrado, e a “Feira Farol”. Todas podem ser acessadas de maneira remota.

Saiba mais

A programação especial de aniversário conta com a exposição on-line de fotografias de Joaquim Paiva, fotógrafo que na década de 1960, ano em que foi fundada a nova capital, era o único a registrar a cidade com fotos coloridas dos anos iniciais. Também está disponível a exposição “Poeira, Lona e Concreto”. “Vamos ter também entrevistas com pioneiros e algumas pessoas dando depoimento dos acervos, que não vou contar – é surpresa”, disse a Eliane. As atrações podem ser encontradas no Instagram e Facebook do Museu, assim como nos portais da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

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