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Brasília

Há dois anos sem desfile das escolas de samba, Rei Momo de Brasília sonha com volta ao trono

Arquivo Geral

09/02/2016 6h00

Carla Rodrigues

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Há dois anos, as fantasias de Antônio Jorge Sales estão aposentadas. Desde então, o Rei Momo de Brasília abre alas apenas para a saudade. Agora, no lugar da chave do seu reinado de quatro dias, recebe apenas o cumprimento de velhos amigos. Não há mais programação oficial. A agenda do soberano das escolas de samba do Distrito Federal está vazia: tal qual a avenida. 

Porém, com a mesma sabedoria do imperador Salomão, que governou Israel durante 40 anos em paz e prosperidade, ele ainda crê que os enredos e as cores vibrantes do carnaval vão voltar às ruas da cidade, seja em Ceilândia ou no Plano Piloto. E com o apoio do Governo do Distrito Federal (GDF).

“Não é possível que, em dois anos de governo, não consigam acertar as contas. Sei que os blocos estão fazendo bonito com os foliões, mas as escolas precisam do governo. E eu acho que o poder público tem que estar onde as pessoas precisam. O governo é de todos os brasilienses. Não só dos blocos e do axé. Tem uma cultura, que junta ricos e pobres em uma mesma avenida, que está sendo prejudicada com isso”, opina o Rei Momo. No entanto, caso as escolas de samba não voltem a desfilar, garante: “Estará na hora de mudar de governo”. 

“Falta interesse”

Para o Rei Momo, nos dois anos de governo Rollemberg, faltou, principalmente, interesse em fazer as escolas de samba voltarem para a avenida. “Parece que não há vontade. Nem do secretário de Cultura (Guilherme Reis) nem do governador. Acho que não é o dinheiro do carnaval que vai salvar a saúde, a educação ou a segurança em Brasília. Essa verba já é discriminada. Já vem do Governo Federal para isso. Além do mais, se continuar como está, o dinheiro nunca vai chegar a quem deve. No Brasil, é assim: ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’”, critica. 

Na opinião do imperador “quase aposentado”, grande parte dos brasilienses querem, sim, a volta dos desfiles das escolas de samba, já que elas também representam a cultura da cidade. 

Sociedade

“Parte da sociedade tem interesse em que as escolas de samba aconteçam. Elas vieram para Brasília lá atrás, juntamente com as pessoas do Rio de Janeiro. Não foi uma cultura criada do acaso. É uma cultura de pessoas que ajudaram a fazer o DF”, avalia. “São pessoas que lutaram uma vida toda pela cultura de Brasília. Agora, o governador entra e, como se não fosse nada importante, deixa de fazer a festa”, completa.

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