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Brasília

Guilherme Sigmaringa é eleito, em primeiro turno, presidente do PT-DF até 2029

Filho e neto de nomes históricos do Partido dos Trabalhadores, mas sem ter participado de disputas partidárias, ele venceu grandes quadros da sigla, que quer voltar às bases para 2026

Suzano Almeida

06/07/2025 23h34

Guilherme Sigmaringa Seixas/ PT/ Crédito: André Duarte

Guilherme Sigmaringa Seixas/ PT/ Crédito: André Duarte

Cerca de 30 mil militantes do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal (PT-DF) foram às urnas, neste domingo (6), para escolher o novo comando regional e nacional da sigla, por meio do Processo de Eleição Direta (PED). As eleições, nas 24 zonais, correram de forma tranquila e elegeram para presidente da legenda, até 2029, Guilherme Sigmaringa Seixas. O anúncio oficial será feito pelo diretório nesta segunda-feira (7).

Com presença forte de filiados em várias regionais, o pleito chegou a ter mais de 1 mil votos em Planaltina, 780 em Ceilândia, 612 no Plano Piloto e 466 em Taguatinga. Segundo a própria direção partidária, reflexo do crescimento da extrema direita no país e da recuperação local do PT no Distrito Federal, nas eleições de 2022, apesar da baixa adesão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas.

O novo presidente Guilherme Sigmaringa nunca disputou cargos eletivos antes. O candidato vem de uma família com forte histórico político e jurídico. Ele é neto de Antonio Carlos Sigmaringa Seixas, um advogado renomado localmente, e filho de Luiz Carlos Sigmaringa, ex-deputado federal e considerado um dos petistas locais com maior proximidade ao ex-presidente Lula.

Seu pai, Luiz Carlos Sigmaringa, conhecido como “Sig”, tinha grande influência em Brasília e era reconhecido por sua participação na indicação de diversos ministros de tribunais superiores, mesmo sem nunca ter ocupado funções na hierarquia partidária antes de falecer em 2018, como definiu a coluna Do Alto da Torre, do jornalista Eduardo Brito.

Unidade

Distrital de primeiro mandato, mas filiado ao PT-DF há quase duas décadas, o deputado Gabriel Magno falou sobre a necessidade de unidade do partido, especialmente para as próximas eleições gerais e locais em 2026. “Ter muitos candidatos é bom. Faz parte da história do PT e o partido lida bem com essas questões. Precisamos, após o pleito, formar consenso. Nas eleições passadas, o [presidente] Lula só ganhou na Asa Norte, por isso temos a necessidade de construir uma frente ampla.”

Sem governar o Distrito Federal desde a derrota de Agnelo Queiroz, que não foi ao segundo turno em 2014 mesmo disputando a reeleição, o PT-DF quer formar uma chapa com partidos aliados e candidatos fortes contra o grupo do atual governador Ibaneis Rocha (MDB) e de sua possível sucessora, a vice-governadora Celina Leão (PP).

“O PT precisa construir uma chapa competitiva em uma frente contra o governador Ibaneis, que vem se declarando de direita. Para a direção, temos dois consensos: independentemente do resultado é que o PT precisa ter uma identidade política. Tínhamos a disputa para saber se iríamos para o centro ou mais para a esquerda. Defendo que temos que ir para a esquerda e não para o centro. Se o PT minimizar seu discurso perde a sua história. O Brasil precisa de um partido de esquerda. No DF, precisamos disso contra a oligarquia de direita que o Ibaneis está montando em sua chapa.”

Candidato ao governo

Pré-candidato à Câmara dos Deputados, o distrital mais longevo da Câmara Legislativa, Chico Vigilante, afirma que o PT-DF terá um nome petista para concorrer ao Palácio do Buriti, em 2026. Segundo o decano da CLDF, há nomes à disposição no partido, como o ex-deputado federal Geraldo Magela; a ex-reitora da UnB Márcia Abrahão; Leandro Grass, atualmente no Partido Verde; e o próprio Chico Vigilante.

“Com os ataques da extrema-direita, a militância voltou a se unir e foi em peso às urnas para eleger a nova diretoria. A militância petista sentiu a necessidade de reagir às ameaças que têm ocorrido”, destacou Vigilante.

Legado

Há seis anos no cargo, Jacy Afonso deixa a presidência regional do PT-DF para “descansar”. O comandante da maior sigla do Distrito Federal afirmou ao Jornal de Brasília que não tem interesse em participar da nova direção após passar por momentos difíceis à frente do partido. 

“Agora vou cuidar de outras coisas. Estive por seis anos na presidência. Passei pela prisão do Lula, uma pandemia [de covid-19]. Não quero assumir cargos. Vou ficar na minha regional e cuidar de outras coisas”, afirma Jacy. 

Entre suas principais ações durante as duas eleições em que esteve na presidência, o militante de longa data afirma que a recuperação do partido foi sua maior marca. “O processo eleitoral interno é um momento de diálogo e escuta da militância, para aprofundarmos, com os filiados, o debate político.” E continua: “O PT está preparado para fazer o enfrentamento político. Viemos em um processo de recuperação, depois da derrota de 2014, melhoramos em 2018 e nos recuperamos bem em 2022. Aumentamos nossa bancada na Câmara Legislativa, por pouco não elegemos uma segunda deputada federal com a Ruth Venceremos. Tenho muita expectativa de que a Érika vença para o Senado contra o Ibaneis”, conclui.

Estavam na disputa cinco candidato — após a desistência de Antônio Sabino —, eram eles: 

  • O ex-coordenador do diretório acadêmico da Universidade de Brasília (UnB) Hélio Carvalho; 
  • A administradora e candidata a suplente ao Senado Mariana Rosa; 
  • A ex-deputada distrital, ex-diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro) e ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF) Rejane Pitanga; 
  • Saulo Antônio Dias dos Santos: secretário nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT Saulo Dias; 
  • E o próprio Guilherme Sigmaringa Seixas, que venceu a disputa.

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