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Brasília

Greve dos metroviários: usuários do metrô enfrentam mais um dia de transtornos

Arquivo Geral

21/11/2017 7h00

Foto: Myke Sena

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com.br

Os cerca de 160 mil usuários do metrô enfrentam mais um dia de transtornos devido ao não funcionamento do transporte. Desde o último sábado, todas as estações estão fechadas por conta da greve dos servidores, que entra no 13º dia. Enquanto empresa e sindicato não entram em um consenso, a Justiça do Trabalho deve dar um novo parecer sobre o assunto ainda nesta semana.

Diferentemente do que ocorreu na semana passada, a direção do Metrô-DF não deve realocar funcionários do administrativo, comissionados ou aqueles que não aderiram ao movimento para fazer o sistema funcionar. O presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, é enfático quando diz que o sindicato está descumprindo a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT 10) que ordena o funcionamento de 90% da frota nos horários de pico e 60% no restante do tempo.

“Esticamos ao máximo a participação dos gerentes, sempre tentando manter a margem de segurança de 75% da frota. Mas, com menos de 18 trens, não dá para funcionar. Não vou colocar em risco a segurança do usuário. Funcionar com 30% [como queria o sindicato] seria a crônica de uma tragédia anunciada. Oito trens para mais de 160 mil pessoas não dá”, completa.

Dourado argumenta que não realocará mais funcionários de outras áreas pois há serviços de manutenção e tráfego que precisam ser feitos. Ele afirma que a Justiça está acompanhando a situação, e os funcionários que não estão indo trabalhar terão o ponto cortado, assim como foi previamente anunciado pelo governador Rodrigo Rollemberg.

Discussões emperradas

Ao contestar os argumentos dos sindicalistas, o presidente do Metrô alega que nenhuma lista de funcionários foi enviada à direção para que fosse possível montar as equipes de trabalho. Contudo, a diretora de comunicação do Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô-DF), Renata Campos, refuta a afirmação e diz que não é necessário o envio desta relação.

Além disso, os grevistas argumentam que seguiram a lei e mantiveram 30% do serviço. Ela reconhece que não dá para funcionar com apenas essa porcentagem da frota, já que, “no dia a dia, com 100% já é arriscado”. “Na verdade, isso significa que eles querem se proteger, pois colocavam pessoas que não tinham treinamento suficiente nos trens”, acusa.

Segundo a diretora do Sindimetrô, a falta de qualificação de pilotos levou a problemas como o ocorrido na terça-feira passada, quando um trem circulou com uma das portas abertas. “O piloto pegou um tipo de trem que não conduzia há três anos”, afirma.

Outro ponto de reclamação do Sindimetrô é que a empresa teria enviado informações erradas para a Justiça. “O Metrô pediu julgamento do dissídio querendo funcionamento de 90% da frota com a informação de que havia 32 trens disponíveis. Porém, cinco trens estão parados. Só existem 27 disponíveis – três ficam de reserva”, diz Renata.

O presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, contrapõe e diz que as informações enviadas ao TRT falavam de 24 trens. Assim, 90% dessa porcentagem fazia referência à circulação de 21 trens. “O único elo frágil é a população, que perde um serviço fundamental”, finaliza.

Saiba mais

  • A manhã de ontem não foi fácil para quem teve que tirar o carro da garagem para chegar ao trabalho. Engarrafamentos foram registrados em várias vias do Guará, Ceilândia, Taguatinga e Águas Claras.
  • Devido à greve, tanto as faixas exclusivas de responsabilidade do Detran – W3 Sul e Norte e Setor Policial Sul – quanto as do DER – EPTG e EPNB – ficarão liberadas até as 23h59 de amanhã.
  • Nesta quarta-feira pela manhã, segundo a assessoria de comunicação do TRT, haverá uma reunião entre as partes para tentar um consenso.
  • A direção do Sindimetrô pediu que o TRT 10 reconsidere a decisão de que 90% circule.

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