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Brasília

Greve deixa Brasília tomada pelo lixo

Arquivo Geral

28/04/2010 9h24

Sujeira para todo lado. Foi essa a cena urbana encontrada ontem, durante todo o dia no coração de Brasília. Na Esplanada dos Ministérios, Rodoviária do Plano Piloto, Congresso Nacional: os contêineres já não conseguiam mais acomodar tanto lixo.

No chão da movimentada Rodoviária, era papel que não acabava mais. Sem contar os plásticos, restos de comida, jornal velho e as latas de alumínio. Tudo se misturava em montes espalhados pelas plataformas. Não foram poucas as queixas de quem passava pelo local. “Nunca vi a Rodoviária desse jeito. Hoje a limpeza está péssima”, disse o jardineiro Elton Batista.

A opinião era geral, mas poucos sabiam o motivo de tanta sujeira. Na noite de segunda-feira, os trabalhadores do setor de limpeza do Distrito Federal declararam greve. Aderiram ao movimento funcionários de diversas empresas terceirizadas que prestam serviço de limpeza, tanto ao Governo Federal, quanto ao distrital. Na Rodoviária, a empresa responsável pela manutenção do serviço é a Fiança.

O movimento de greve está sendo articulado pelo Sindiserviços, sindicato dos trabalhadores do setor. Na pauta de reivindicação, está o aumento de 53% nos salários e a alteração do valor do ticket alimentação de R$ 8 para R$ 15. Antônio de Pádua, diretor de política do Sindiserviços defende a causa: “Hoje o salário-mínimo já ultrapassou o nosso. Ganhamos  R$ 502 por mês”.

Eleneide Rodrigues trabalha há sete anos prestando serviço de limpeza no Hospital Regional de Planaltina, por meio da empresa Dinâmica. Ela reclama que o salário mal paga o aluguel de onde mora. “Em 2005 eu recebia R$ 395. Já se foram mais de cinco anos e veja só quanto o meu salário aumentou”. Eleneide, com os descontos, recebe R$ 409. Ela explica que, por não trabalhar em lugares insalubres, ganha menos.

A greve dos trabalhadores divide opiniões. Neudson Alves é dono de uma banca de fotos na Rodoviária e reclama que a sujeira do local atrapalha muito seu negócio. “Os próprios trabalhadores que sujam tudo para justificar a necessidade do trabalho deles”. 

O professor da Universidade de Brasília (UnB), Gustavo de Castro, entretanto, acredita que a paralisação é válida. “Acontece que o lixeiro é visto no Brasil como o Boris Casoy falou: o mais baixo na escala do trabalho” O professor se refere à frase ofensiva do jornalista que vazou acidentalmente durante a transmissão de seu programa na Band. Para o professor, a sujeira da Rodoviária mostra que a profissão que julgamos ser tão silenciosa, é mais essencial do que imaginamos.
As empresas terceirizadas são responsáveis pela limpeza dos ministérios, Rodoviária, hospitais, escolas, dentre outros espaços públicos.

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