Raphaella Sconetto e João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com
Aqueda do viaduto do Eixo Rodoviário Sul forçou o governo a providenciar operações de reparo e monitoramento nas principais pontes do DF. Entre elas, a Honestino Guimarães, Bragueto, Juscelino Kubitschek e das Garças estão sendo vistoriadas. No viaduto da Estrada Parque Guará (EPGU), uma erosão causou a interdição de uma faixa.
No Eixão Sul, o acesso por meio de um desvio será liberado a partir das 6h de hoje. Segundo o diretor-presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Júlio Menegotto, ali as obras estão avançadas. Ontem retoques finais eram feitos na Galeria dos Estados: o escoramento e a colocação de tapumes, iluminação e sensores de monitoramento. Equipes trabalharam até a noite para garantir a circulação hoje.
“Estamos fazendo um caminho de tapumes e vamos construir uma calçada de asfalto para os pedestres passarem. As calçadas não foram feitas de concreto porque não daria tempo de secar”, explica. Quem for passar pelo local não precisa ficar preocupado. É o que garante o presidente da Novacap. “O viaduto está sendo monitorado 24 horas por dia. Está estabilizado”, afirma.
Ainda ontem começou a demolição do bloco que desabou, para que amostras sejam analisadas pela Universidade de Brasília. O resultado deve levar sete dias. “Engenheiros da Novacap e do DER já coletaram alguns dados. Com mais essa análise da UnB, reuniremos o grupo de trabalho para definir o que será feito: refazer o viaduto ou recuperá-lo”, detalha Menegotto.
Guará
Os motoristas que saem do Guará pela DF-051, a EPGU, podem ter dificuldade para chegar ao trabalho hoje e nos próximos dias, já que há uma interdição de 200 metros em uma das três faixas da pista, no sentido Guará-Plano Piloto. O fechamento, sem prazo para acabar, ocorreu em resposta a um pedido da Defesa Civil.
Responsável pela pista, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) fez uma vistoria ontem e apontou risco de que uma erosão na lateral aumente e danifique o asfalto. O peso dos carros facilitaria a movimentação de terra. Uma lona colocada na lateral deve evitar mais erosões.
Por nota, o DER informou que fez sobrevoos e verificou os deslocamentos de terra. “A pista da direita ficará interditada até que seja dada uma solução”, afirma o DER, em nota.
Outras pontes
Na Ponte do Bragueto, equipes estão fazendo a reconstituição da laje. “Estruturalmente não há nenhum problema. Somente a questão da laje, onde os caminhões mais altos do que o permitido passam e batem”, explica. Também foram instalados sensores eletrônicos de monitoramento.
Na Ponte JK, ontem houve a troca das juntas de dilatação. Uma via foi interditada no sentido Plano Piloto e causou engarrafamento. “É uma borracha que se soltou ou alguém arrancou. É um trabalho de rotina. Ano passado trocamos duas vezes. Também trocamos os cordoalhos – cabos de aço – no ano passado”, diz o diretor da Novacap, Júlio Menegotto.
A previsão é de que em 30 dias saia um edital de licitação para a reforma total da Ponte JK. “A ponte é nova. Estamos reformando para manter, não chegar a um estado crítico. Vamos estudar um monitoramento constante”, explica.
As pontes das Garças e Honestino Guimarães estão sendo vistoriadas e serão instalados os sensores de monitoramento nos próximos dias.
“Depois vamos avaliar qual será o projeto de cada ponte. Acontece que se instalou um clima de insegurança em Brasília, porque as pessoas começam a falar coisas sem fundamento. Toda ponte tem junta de dilatação, mas os leigos pensam que estão rachadas. No geral, precisam de ações de manutenção”, conclui. O orçamento previsto para as manutenções é de R$ 55 milhões
Saiba mais
Na volta do Carnaval, os motoristas não enfrentaram engarrafamento no Eixão. O fluxo estava intenso, mas o trânsito fluiu ao longo do dia. Os pedestres ainda precisavam dar a volta e, para atravessar, contaram com a ajuda da Polícia Militar, que parava os carros.
Ponto de vista
Para o especialista em patologia de edificações e professor da UnB Dickran Berberian, o governo poderia ter feito todos os reparos antes de as pontes e viadutos apresentarem problemas. “Lamentavelmente, passou da hora de o governo fazer manutenção. O recomendado eram cinco anos para as pontes e viadutos. Mas melhor agora do que demorar ainda mais para fazer”, analisa. Para recuperar a sensação de segurança da população, Berberian acredita que isso ocorrerá somente com o tempo. “O bom é que o medo faz as pessoas observarem mais, olharem para o início de um problema. Mas, à medida que as equipes façam uma vistoria geral, apresentem os problemas, a população se sentirá mais segura com as manutenções e reparos feitos”, conclui.