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Brasília

Governo antecipa vacina contra gripe, mas há fila nas clínicas particulares

Arquivo Geral

15/04/2016 6h15

Ingrid Soares

redacao@jornaldebrasilia.com.br

Mesmo depois de o governo antecipar a vacinação contra a gripe – que começa na próxima segunda (18) –, a procura pela imunização em clínicas particulares   ainda é grande, e insuficiente para a demanda. O material está em falta em muitos estabelecimentos.

Em uma clínica  na Asa Sul, assim que houve a notícia de reabastecimento, filas se formaram às 6h, com aproximadamente 300 pessoas. As senhas duraram poucas horas. Segundo a atendente Alessandra Oliveira, foi preciso criar uma lista de espera por meio do WhatsApp. “Os clientes deixam os números de telefone  e, ontem à noite, assim que recebemos a vacina, avisamos. As pessoas chegaram cedo e logo acabou de novo”, diz.

O administrador Adriano Almeida, 43 anos, procurou outras clínicas e ainda esperou   uma semana até conseguir a vacina para o filho Heitor, de 12 anos. Apesar de passar  horas na fila até ser atendido, ele garante que a peregrinação valeu a pena. “Vemos  o número de casos da gripe aumentando a cada dia. Temos que resguardar a saúde dos nossos filhos”, observa.

A psicóloga Raquel Saraiva, 39 anos, pegou a última senha. Ela também aguardava para vacinar a filha e chegou às 7h. “Assim que soubemos, viemos correndo. Entramos em   desespero, porque vemos que se iniciou uma epidemia. Não dá para brincar”, diz.

Em uma outra clínica,   no Terraço Shopping, foram aplicadas mais de 2 mil doses em menos de uma semana. De acordo com a sócia-gerente Elaine Helena Rodrigues, o local aplica normalmente 60 doses por dia.  Um cartaz avisava que a vacina havia se esgotado. 

“Enfrentamos dificuldades e não estamos conseguindo atender a todos. Pedimos que os clientes sejam pacientes. Recebemos caixas com outros tipos de vacina a todo momento, e as pessoas criam expectativa, acham que se trata da H1N1. Semana passada, teve gente que passou oito horas na fila. Esta semana,  não foi diferente”, relata.

Segundo Elaine, a previsão é de que  cheguem mais vacinas amanhã. Porém, o cliente deve se informar antes, e a distribuição de senhas também será limitada.

A aposentada Ailéia Marques, 61 anos, resolveu não esperar pela campanha do governo e  enfrentou a fila para se imunizar. “A gente fica com medo, não dá para ficar esperando. Também vou viajar e achei melhor não arriscar”, explica.

Doses talvez no próximo mês

A equipe do JBr. entrou em contato com algumas clínicas, e a maioria não tem previsão para atender a demanda. Em outras, a expectativa é de que o reabastecimento aconteça apenas no mês que vem.

O valor da vacina nas clínicas particulares varia de R$ 90 a R$ 160, dependendo do tipo. A trivalente serve para gripe H1N1, H3N2 e Influenza B (subtipo Brisbane). A tetra ou quadrivalente protege contra H1N1, H3N2 e dois vírus Influenza B (subtipos Brisbane e Phuket). A vacina oferecida pelo governo é a trivalente, mas ambas imunizam contra o H1N1.

O pneumologista Laércio Valença esclarece que quem tomou a vacina em 2015 precisa tomar novamente, pois a dose tem validade de um ano, e a composição varia de acordo com a  incidência dos vírus. 

Valença diz que as vacinas podem causar febre, dor no corpo ou reação no local da aplicação e demoram até duas semanas para fazer efeito. “Devido às mortes causadas pela gripe, é natural a correria às clínicas. É bom tomar precauções, mas não há motivo para pânico”, garante. Para evitar a contaminação, Laércio orienta a higienização nas mãos após tossir ou espirrar, evitar contato próximo a pessoas que apresentem sintomas de gripe e ambientes fechados e ter uma alimentação balanceada.

H1N1 no DF

Neste ano, foram registrados, no DF, 26 casos de H1N1 e três mortes. De acordo com a Secretaria de Saúde, a primeira remessa da vacina contemplará 295 mil pessoas: crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, mulheres com até 45 dias pós-parto e trabalhadores de saúde. A partir de 30 de abril, pessoas com mais de 60 anos, povos indígenas, população carcerária, funcionários do sistema prisional e pessoas com doenças crônicas não transmissíveis ou com outras condições clínicas especiais serão vacinadas.

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