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Brasília

Gestão da Fecomércio-DF foca em qualificação profissional e melhoria estrutural

Com pouca mão de obra qualificada no Distrito Federal, federação investe na abertura de mais vagas e em novas unidades para atender melhor colaboradores e a população

Suzano Almeida

21/01/2026 5h00

Atualizada 20/01/2026 16h46

José Aparecido Freire, Presidente da Fecomércio-DF

José Aparecido Freire, Presidente da Fecomércio-DF

À frente da presidência da Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) desde 2022, José Aparecido Costa Freire acumula inúmeras mudanças dentro e fora da instituição. Entre seus principais feitos, segundo o próprio mandatário afirmou ao Jornal de Brasília, estão mudanças nas sedes das unidades da Fecomércio, todas próprias, e o aumento do número de vagas para a formação de mão de obra para os setores que compõe a federação.

Com visão do todo, o mandatário aponta gargalos para economia do Distrito Federal, como a falta de profissionais qualificados e a lenta recuperação dos setores de eventos e serviços que, quase cinco anos após a pandemia de covid-19, ainda sofrem os efeitos do lockdown.

Diante do quadro, Zé Aparecido, como é chamado no meio político-empresarial, aponta alguns caminhos e, mais do isso, coloca a Fecomércio-DF como parte da solução para o crescimento econômico do Distrito Federal.

Como o senhor avalia o atual cenário de comércio de bens, serviços e turismo do Distrito Federal?

O setor está bem. Tivemos uma pequena queda no setor de varejo, referente a outubro, mas no acumulado há um crescimento de janeiro a novembro [de 2025] de 4%. Se pegarmos os últimos 12 meses ele é de 4,1%, e com o resultado de dezembro, que deve sair no final de janeiro, teremos um crescimento do varejo um pouco melhor que em 2024. Nós continuamos crescendo acima da média do país. A questão que nos preocupou bastante foi uma queda de 3,4%, em relação a outubro. No acumulado do ano dá 7,9%. Se mantivermos essa queda de novembro em dezembro teremos uma redução no serviço.

Após a covid-19, há algum setor que ainda não se recuperou?

O setor de bares e restaurante ainda sente bastante os efeitos da pandemia, o de turismo e o de eventos. Eles veem crescendo, mas foram os setores que ficaram mais tempo fechados, durante a pandemia. Eles estão em franca recuperação, mas ainda sentem os efeitos do período.

O que falta para ele se recuperarem?

Você tem setores, como o de eventos, que não podia ter evento nenhum. Bares e restaurantes, em que as pessoas não saiam de casa, turismo que teve uma paralisação total. Eles precisam de tempo, pois não tiveram nenhum tipo de faturamento e isso leva um tempo, que acreditamos ser de uns cinco a seis anos para que essas empresas possam voltar a funcionar com a normalidade de 2029.

Há algum setor que se recuperou melhor?

Os setores vêm se recuperando, mas esses são os que mais sentiram a pandemia. De 2022 para cá, todos os setores vêm se recuperando. Agora, com lockdown, empresas que precisaram pagar aluguel sem estar faturando, isso leva com que elas levam tempo.

A economia do DF é muito atrelada ao funcionalismo público, como esse quadro vem mudando?

O Distrito Federal, na verdade, em um passado um pouco mais distante, tinha uma diferença grande entre os salários dos servidores públicos e dos trabalhadores do setor de serviço. Hoje é equilibrado, com quase 50% do PIB de outros setores, como serviços e turismo que vem crescendo cada vez mais dentro do PIB do Distrito Federal, passando a depender menos do funcionalismo público. O DF tem essa característica diferente, por ser capital do país, e sempre vai ter, com um crescimento melhor, até porque os servidores têm seu salário garantido. Isso faz com que cresçamos acima da média.

Tem uma área em que a Fecomércio tem contribuído mais para desenvolver a economia do DF?

Temos o Senac que faz a qualificação dos trabalhadores e temos muitos empregos com profissionais qualificados por ele. Estamos ampliando seus cursos na área de gastronomia, abrindo polos nas cidades-satélites. Vamos agora, em fevereiro, inaugurar um polo na Candangolândia, em Planaltina. Temos polos em Brazlândia, São Sebastião, Planaltina. Estamos levando a qualificação para as cidades mais distantes, para que tenhamos profissionais que tenham condições de atender as demandas do mercado.

Os salários dos trabalhadores têm aumentado?

Cada setor tem sua convenção coletiva. Nós orientamos aqui, na Federação do Comércio, para que todos possam ter funcionários qualificados para que tenhamos quem possa atender as demandas. E, claro, tendo profissionais qualificados tem remuneração melhor. Qualificamos tanto para que as pessoas tenham emprego, quanto para que também possam conseguir uma promoção, uma melhoria dos seus cargos com salários melhores.

Quais os feitos de sua gestão podem ser destacados?

Fizemos uma prestação de contas de 2022 a 2025 para nossa direção. Dentre muitas coisas boas que nós fizemos eu destaco a maior unidade educacional do Senai no Distrito Federal, no Setor Comercial Sul, que hoje tem mais de 5 mil alunos. A inauguração, em dezembro passado, da nossa sede administrativa, mudando lá do SIA, dando mais conforto para os nossos colaboradores e para atender melhor o público externo em mais de 25 mil m². Mudança da Fecomércio e do Senac para a 712 Norte, por conta de uma condição ruim que tínhamos lá no SIA. Tudo isso que estou falando são unidades próprias. Para se ter uma ideia da relevância do nosso trabalho, nos últimos três anos e meio, hoje, o Sesc do Distrito Federal não tem nenhuma unidade alugada. Todos as unidades estão em sede própria, assim como o Senac. São muitas realizações, como o Sesc sair de 179 mil credenciados para mais de 500 mil. O Senac sair de 500 alunos para 1.600. São muitos ganhos, como a ampliação do Sesc e do Senac, do Instituto Fecomércio saído de 1 mil Jovens Aprendiz para de 2 mil. Temos tudo isso prestado conta.

O senhor é candidato à reeleição?

Sim. Sou candidato à presidente da Fecomércio. Temos muitos projetos para serem concluídos nos próximos quadro anos. Espero ser eleito para dar continuidade para o bem do Distrito Federal.

Qual o maior gargalo para a economia do DF?

Temos um problema muito sério que é a questão da qualificação. O Senac vem trabalhando isso, pois a partir do momento que tivermos bons profissionais, vamos ajudar as empresas a crescerem. A mão de obra é um gargalo muito grande no DF em todos os setores. O Senac vem trabalhando e, no ano passado, foram mais de 7 milhões de horas de aula realizadas, mais de 30 mil profissionais qualificados, requalificação de 300 técnicos de enfermagem, parceria com a Secretaria de Justiça e outras. Com a Secretaria de Assuntos Penitenciários, com quem estamos requalificando presos e presas. São muitos gargalos. Hoje eu diria que o maior gargalo é a qualificação profissional.

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