A Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF) iniciou nesta semana o Serviço de Acolhimento Conjunto, uma modalidade pioneira de acolhimento institucional voltada para crianças e adolescentes em situação de risco social, acolhidas junto com suas mães. O projeto-piloto visa evitar a separação das famílias quando o afastamento do convívio com o responsável principal não é a alternativa mais adequada, priorizando a preservação e o fortalecimento dos vínculos familiares por meio de apoio técnico intensivo e acompanhamento psicossocial especializado.
De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, o serviço atende situações em que há risco social, mas é possível manter a convívio familiar com suporte adequado. “O acolhimento conjunto tem como foco, primeiramente, a proteção da criança e do adolescente e o fortalecimento dos vínculos com a família, além de prevenir a institucionalização de crianças e adolescentes sozinhos”, explicou ela. Foram destinadas 50 vagas para essa modalidade, gerenciadas pela organização da sociedade civil Casa da Criança Batuíra, parceira da Sedes.
A triagem e destinação das vagas serão realizadas pela Central de Acolhimento de Crianças e Adolescentes. A gerente de Serviços de Acolhimento para Crianças, Adolescentes e Jovens, Brigida de Freitas, destacou que muitas crianças na primeira infância, especialmente bebês, estão em acolhimento institucional por questões financeiras ou de moradia das mães, mas poderiam permanecer com a família com o suporte adequado. “Em muitos casos, a criança é encaminhada para acolhimento após avaliação prévia, porque a mãe não tem condições naquele momento de cuidar do filho. Mas há um vínculo forte entre mãe e filho. Eles não precisariam ser separados”, afirmou.
Para preparar a equipe, funcionários da Casa da Criança Batuíra e das gerências de acolhimento da Sedes participaram de uma capacitação de quatro dias com a Associação Beneficente Encontro com Deus, de Curitiba (PR), que executa serviço semelhante há 25 anos. A gestora de programas e projetos da associação, Alessandra Vidmontas, enfatizou que os conteúdos abordaram aspectos técnicos, gestão de equipes, comunicação e atendimento humanizado, garantindo segurança na implementação.
Na última sexta-feira (27), a Sedes promoveu um workshop para apresentar o novo serviço a representantes da rede de apoio, incluindo a Vara da Infância e da Juventude, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Defensoria Pública do Distrito Federal, Conselhos Tutelares e Secretaria de Saúde. Cerca de 90 pessoas participaram do evento. Ana Paula Marra concluiu que a modalidade permite trabalhar simultaneamente com mães e filhos, atendendo ao direito à convivência familiar e comunitária, além de oferecer suporte para que as mulheres se reestruturem e mantenham a vida com seus filhos fora da instituição.
Com informações da Sedes-DF